sexta-feira, 13 de outubro de 2017

HIGHER (Heavy Metal - Campinas/SP)


Início de atividades: 2012

Discos lançados: “Higher” (2014)

Formação atual: Cezar Girardi (vocal), Gustavo Scaranelo (guitarra), Rodrigo Ribeiro (guitarra), Will Costa (baixo) e Pedro Rezende (bateria).

Cidade/Estado: Campinas/SP


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Gustavo Scaranelo: A banda começou com um projeto que ocorreu há 20 anos atrás, chamado SECOND HEAVEN. Esse projeto não deixou registros, então nos reencontramos quase 20 anos depois para gravar o material produzido naquela época. Quando ouvimos o resultado percebemos que havia um novo projeto nascendo, o HIGHER. Então redirecionamos o trabalho para esse novo projeto. Novas composições surgiram, assim como um tema central que está associada ao nome da banda, e então novas letras e arranjos para as composições mais antigas. Quando nos demos conta, havia um disco pronto.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Gustavo: Apesar de existirem dificuldades referentes a esse mercado, sobretudo a preferência do público e de algumas casas por bandas cover, estamos mais conectados com a parte positiva disso tudo. O disco tem recebido ótimas críticas, inclusive da imprensa estrangeira. Tem sido comum ler que nosso trabalho tem uma sonoridade original, e esse a é a melhor resposta que poderíamos esperar para esse disco.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Gustavo: Existem algumas casas voltadas para o gênero. Recentemente tocamos em uma casa chamada Sebastian Bar, junto com outras duas bandas de Metal autoral, e foi um evento muito legal. O público apareceu e acredito que foi uma noite especial para todos. Mas não temos tocado com muita regularidade, sobretudo porque estamos trabalhando nas composições do novo disco, e esse é o foco no momento.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Gustavo: O Metal é um gênero musical e não uma instituição criada por algumas bandas. Com o fim de qualquer banda o Metal continuará existindo desde que o gênero seja praticado de alguma forma. Acredito que há uma grande confusão com relação a isso. O material deixado por essas bandas é muito maior que elas próprias, por si só. Mas as pessoas acabam se apegando aos nomes, aos personagens, e a música às vezes é esquecida. Essa jamais deixará de existir, e isso é o Metal, uma forma de fazer música.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Gustavo: Honestamente, não sei que significaria o cenário “dar certo”. Existe, de fato, um cenário no Brasil e isso significa que já “deu certo”, de alguma forma. Agora, é claro que isso poderia melhorar, mas novamente me pergunto o que seria “melhorar”. Falo isso porque os gêneros “underground” muitas vezes sofrem transformações quando saem da condição “underground” e emergem para uma área de maior visibilidade, e é claro que isso seria ótimo para o gênero, mas não sem um custo, ou sem consequências. Noto que quanto maior visibilidade e aceitação um gênero tem por parte do grande público, menos liberdade ele tem, mais parecido ele soa com tudo, fica mais submetido ao mercado e menos à expressão artística do grupo em questão. Mas acredito que se algo poderia trazer benefícios imensos à cena nacional seria ter o público mais interessado no Metal nacional e, claro, um maior número de bandas trabalhando com maior seriedade, investindo mais e se dedicando aos projetos com disciplina e foco. Seria uma melhora das duas partes, acho que isso já resultaria nas demais transformações: shows com melhor remuneração (ou com alguma), com melhor estrutura e maior frequência. Se existe uma demanda, os empresários (mesmo os pequenos) reagem a ela. As bandas muitas vezes esperam por isso antes de se debruçarem de fato sobre o trabalho, mas acredito no contrário, deve-se agir primeiro como um projeto ou banda grande, depois você será reconhecido e tratado como tal.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Gustavo: Existem grandes trabalhos de Metal sendo feitos no Brasil e no mundo hoje. Dêem uma chance às bandas que estão surgindo, isso não significa que você deva ouvir sempre ou ir a shows de bandas das quais vocês não gostam. Mas sim aceitar o convite para uma primeira audição, não se pode dizer muito sobre o trabalho de alguém sem ouvir ao menos um disco desse grupo. A partir disso, gostem ou não, cada um irá reagir de acordo. Aproveito para agradecer todos os fãs do HIGHER e todos aqueles que tiveram ao menos alguns minutos para o nosso trabalho. Espero encontrá-los em breve num show! Obrigado ao Metal Samsara pela oportunidade de falar sobre o HIGHER!


Mais Informações:


www.youtube.com/higherMetalband