sexta-feira, 13 de outubro de 2017

PARADISE LOST - Medusa (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,2/10,0

Tracklist:

1. Fearless Sky
2. Gods of Ancient
3. From the Gallows
4. The Longest Winter
5. Medusa
6. No Passage for the Dead
7. Blood & Chaos
8. Until the Grave
9. Shrines
10. Symbolic Virtue


Banda:


Nick Holmes - Vocais
Gregor Mackintosh - Guitarra solo, teclados
Aaron Aedy - Guitarra base
Stephen Edmondson - Baixo
Waltteri Väyrynen - Bateria


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Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Falar em certos nomes em termos de Metal é quase sempre uma arte, uma questão de cuidar das palavras que se usa. Isso porque alguns grupos se tornaram ou sinônimo de qualidade ou mesmo são pioneiros de uma vertente de Metal. E um dos que consegue fundir ambos os aspectos é o do quinteto inglês PARADISE LOST, de Halifax, que anda em uma fase criativa tão boa que, mesmo gravando e fazendo tours sem cessar, não perde a qualidade e vem com seu mais novo disco, “Medusa”. E a colaboração entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil nos brinda com a versão nacional.

Em “Medusa”, o grupo vem de baterista novo, já que Waltteri Väyrynen substituiu Adrian Erlandsson. Mas ele não chega a impor mudanças notáveis no trabalho musical do quinteto, que vem mais uma vez com um trabalho intenso e robusto, focado em vocais com timbres agressivos (mas não tão guturais como no passado), aquelas guitarras com riffs agressivos elegantes e solos cheios de melodias fúnebres, além de baixo e bateria estarem criando uma base rítmica bem tocada, com boa técnica, mas com muito peso. Ou seja, a banda está revendo suas origens, especialmente a dupla “Lost Paradise” e “Gothic”, como já haviam feito em “The Plague Within”. Mas dessa vez, existem canções com vocais limpos e muitas partes introspectivas, além de elementos que conhecemos de “Shades of God” e “Draconian Times”. Assim, o quinteto parece ter conseguido fundir elementos de sua fase mais prolífica, apresentando certa dualidade no álbum, e isso é ótimo.

Para a produção de “Medusa”, o grupo mais uma vez contou com a produção de Jaime Gomez Arellano, o mesmo produtor de “The Plague Within” (que ainda trabalhou na gravação, além de mixar e masterizar o disco). Óbvio que está tudo de alto nível em termos de sonoridade, sendo o ponto mais interessante é que a banda consegue soar pesada e suja, com timbres de guitarras bem carregados, mas com uma qualidade sonora de alto nível, com todos os instrumentos muito bem definidos em seus tons, o que nos permite compreender o que é tocado.

Falando da arte gráfica, a capa é muito chamativa justamente pela paleta de cores não usual, e por isso, encaixa como uma luva no contexto sonoro do quinteto. Já para o encarte, a apresentação é bem simples, mas funciona bem.

Agora, falar do trabalho que a banda faz em “Medusa” é chover no molhado. O quinteto sempre soube ser ousado, e neste disco, embora não tão ousado como na época de “Draconian Times”, percebe-se que a banda não deseja viver de passado. As músicas foram bem arranjadas, a dinâmica entre os instrumentos entre si e dos mesmos com as melodias vocais ficou muito boa, e sem falar na presença de Steve Crobar nos backing vocals em “God of Ancients” e de Heather Mackintosh também nos backing vocals em “No Passage for the Dead”.

De um lado, temos canções mais voltadas à brutalidade do passado Doom Death Metal do quinteto formando a maior parte das músicas do CD, onde se destacam a dura e fúnebre “Fearless Sky” e suas ótimas guitarras (fora os “inserts” de vocais limpos), a soturna “Gods of Ancient”, o andamento empolgante de “From the Gallows” (vejam como baixo e bateria estão bem nesta canção) e de “Blood & Chaos” (esta parece vinda de “Shades of God”, pois além das partes de vocais limpos, o trabalho das guitarras empolga), e o peso cavalar e de bom gosto da opressiva “Until the Grave”.

De outro lado, vêm aquelas canções que pegam o lado mais introspectivo e com forte carga melancólica, com vocais limpos, como na pesada e azeda “The Longest Winter” e suas melodias fúnebres envolventes, e a opressiva e intensa “Medusa”, que é cheia de detalhes de baixo e bateria de primeira, fora o solo de guitarra ser muito bom e alguns toques de teclado fortalecem a aura melancólica da canção.

A versão nacional ainda possui duas canções a mais: “Shrines” e seu jeito melancólico com vocais oscilando entre o limpo quase gótico e o gutural agressivo sobre uma base instrumental que ora é mais soturna, ora mais feroz; e a densa e bruta “Symbolic Virtue”, toda em vocais mais naturais e também com a ambientação da canção variando do introspectivo melancólico (onde alguns toques de teclado aparecem) e outras mais sujas.

O PARADISE LOST aparenta dar sinais que mudanças podem surgir mais adiante em “Medusa”, que é um disco de primeira. Mas até que o próximo disco venha, aproveitem bastante dessa versão nacional, que está de primeira!