sexta-feira, 13 de outubro de 2017

HEAVENLESS (Thrash/Death Metal - Mossoró/RN)


Início de atividades: Janeiro de 2016

Discos lançados: “whocantbenamed” (2017)

Formação atual: Kalyl (baixo e voz), Vicente “Mad Butcher” (bateria) e Vinícius Martins (guitarra)

Cidade/Estado: Mossoró/RN


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Kalyl Lamarck: Nós três já nos conhecíamos de outros projetos paralelos, atuamos no cenário Rock/Metal local há algo em torno de uma década. Isso permitiu que os interesses em comum fossem convergindo e canalizados para a consolidação do grupo. Daí, já imaginávamos que se nos uníssemos em uma banda, algo legal poderia sair como resultado, principalmente da característica de sermos muito dedicados.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Kalyl: Nossas principais dificuldades são geográficas para tocar nos grandes centros. É uma verdadeira epopeia sair de Mossoró/RN para tocar em qualquer cidade do Sudeste, por exemplo, já que nosso aeroporto mais próximo fica há quase 300km, com acesso através de estradas perigosas e preços caros de passagens. Isso já impõe um custo e esforço muito altos para qualquer giro que pensemos em fazer.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Kalyl: Consideramos nossa cidade com uma estrutura privilegiada para produzir eventos de Metal/Rock, já que é bem localizada, pois está entre duas grandes capitais (Natal e Fortaleza), além de se compararmos a outros panoramas na região, é muito fácil conseguir local para realizar evento de Rock a um preço baixo, a exemplo do Carcará, um clube que fornece já estrutura de palco e som, sempre com ótimas oportunidades aos produtores. Isso se reflete na quantidade de bandas que passam mensalmente pela cidade. Com certeza é uma das cidades mais ativas em relação a show no Nordeste. Isso não quer dizer, claro, que seja uma produção rentável, mas tão somente viável, já que estou comparando com as dificuldades enfrentadas Nordeste afora e que são tremendas.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Kalyl: Encaramos isso como um comentário de alguém antigo, que se cansou ou não sabe onde ouvir ótimos sons. A quantidade de bandas excepcionais hoje é assustadora. Eu prefiro o cenário atual, gosto de ouvir bandas sem ter massiva imposição de gravadoras como antes, que tenham boa qualidade de gravação e uma produção independente que nos inspire.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Kalyl: Nós não conseguimos enxergar o cenário brasileiro como algo ruim. Só não podemos ignorar a questão cultural de uma população que gosta de farra, festas e a música é som ambiente; além da geografia do país que torna o translado muito caro, e do protecionismo acarretado pela questão tributária que dificultam bastante o alavanco de bandas de Metal/Rock a produzirem discos, possuírem equipamentos, viajar para fora sem, para tanto, arcarem com taxas abusivas.  No entanto, nunca conhecemos outra realidade, nos resta tentar se adaptar e superar as barreiras.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Kalyl: Agradecemos o espaço do Metal Samsara, gratidão pelo suporte! Aos leitores, queremos convocar pra tomar uma com a gente, bater cabeça e dar o sangue quando passarmos ae na sua cidade! NO GODS, NO BULLSHIT!!


Mais Informações:

HIGHER (Heavy Metal - Campinas/SP)


Início de atividades: 2012

Discos lançados: “Higher” (2014)

Formação atual: Cezar Girardi (vocal), Gustavo Scaranelo (guitarra), Rodrigo Ribeiro (guitarra), Will Costa (baixo) e Pedro Rezende (bateria).

Cidade/Estado: Campinas/SP


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Gustavo Scaranelo: A banda começou com um projeto que ocorreu há 20 anos atrás, chamado SECOND HEAVEN. Esse projeto não deixou registros, então nos reencontramos quase 20 anos depois para gravar o material produzido naquela época. Quando ouvimos o resultado percebemos que havia um novo projeto nascendo, o HIGHER. Então redirecionamos o trabalho para esse novo projeto. Novas composições surgiram, assim como um tema central que está associada ao nome da banda, e então novas letras e arranjos para as composições mais antigas. Quando nos demos conta, havia um disco pronto.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Gustavo: Apesar de existirem dificuldades referentes a esse mercado, sobretudo a preferência do público e de algumas casas por bandas cover, estamos mais conectados com a parte positiva disso tudo. O disco tem recebido ótimas críticas, inclusive da imprensa estrangeira. Tem sido comum ler que nosso trabalho tem uma sonoridade original, e esse a é a melhor resposta que poderíamos esperar para esse disco.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Gustavo: Existem algumas casas voltadas para o gênero. Recentemente tocamos em uma casa chamada Sebastian Bar, junto com outras duas bandas de Metal autoral, e foi um evento muito legal. O público apareceu e acredito que foi uma noite especial para todos. Mas não temos tocado com muita regularidade, sobretudo porque estamos trabalhando nas composições do novo disco, e esse é o foco no momento.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Gustavo: O Metal é um gênero musical e não uma instituição criada por algumas bandas. Com o fim de qualquer banda o Metal continuará existindo desde que o gênero seja praticado de alguma forma. Acredito que há uma grande confusão com relação a isso. O material deixado por essas bandas é muito maior que elas próprias, por si só. Mas as pessoas acabam se apegando aos nomes, aos personagens, e a música às vezes é esquecida. Essa jamais deixará de existir, e isso é o Metal, uma forma de fazer música.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Gustavo: Honestamente, não sei que significaria o cenário “dar certo”. Existe, de fato, um cenário no Brasil e isso significa que já “deu certo”, de alguma forma. Agora, é claro que isso poderia melhorar, mas novamente me pergunto o que seria “melhorar”. Falo isso porque os gêneros “underground” muitas vezes sofrem transformações quando saem da condição “underground” e emergem para uma área de maior visibilidade, e é claro que isso seria ótimo para o gênero, mas não sem um custo, ou sem consequências. Noto que quanto maior visibilidade e aceitação um gênero tem por parte do grande público, menos liberdade ele tem, mais parecido ele soa com tudo, fica mais submetido ao mercado e menos à expressão artística do grupo em questão. Mas acredito que se algo poderia trazer benefícios imensos à cena nacional seria ter o público mais interessado no Metal nacional e, claro, um maior número de bandas trabalhando com maior seriedade, investindo mais e se dedicando aos projetos com disciplina e foco. Seria uma melhora das duas partes, acho que isso já resultaria nas demais transformações: shows com melhor remuneração (ou com alguma), com melhor estrutura e maior frequência. Se existe uma demanda, os empresários (mesmo os pequenos) reagem a ela. As bandas muitas vezes esperam por isso antes de se debruçarem de fato sobre o trabalho, mas acredito no contrário, deve-se agir primeiro como um projeto ou banda grande, depois você será reconhecido e tratado como tal.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Gustavo: Existem grandes trabalhos de Metal sendo feitos no Brasil e no mundo hoje. Dêem uma chance às bandas que estão surgindo, isso não significa que você deva ouvir sempre ou ir a shows de bandas das quais vocês não gostam. Mas sim aceitar o convite para uma primeira audição, não se pode dizer muito sobre o trabalho de alguém sem ouvir ao menos um disco desse grupo. A partir disso, gostem ou não, cada um irá reagir de acordo. Aproveito para agradecer todos os fãs do HIGHER e todos aqueles que tiveram ao menos alguns minutos para o nosso trabalho. Espero encontrá-los em breve num show! Obrigado ao Metal Samsara pela oportunidade de falar sobre o HIGHER!


Mais Informações:


www.youtube.com/higherMetalband


VENOM INC. - Avé (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,1/10,0

Tracklist:

1. Ave Satanas
2. Forged in Hell
3. Metal We Bleed
4. Dein Fleisch
5. Blood Stained
6. Time to Die
7. The Evil Dead
8. Preacher Man
9. War
10. I Kneel to No God
11. Black n’ Roll


Banda:


The Demolition Man - Baixo, vocais
Mantas - Guitarras
Abaddon - Bateria


Contatos:

Youtube:
Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Uma das coisas mais abomináveis que os fãs de Metal adoram fazer e são fontes de decepções que poderiam ser evitadas são as comparações. Blaze versus Bruce, Ozzy versus Dio, entre outras tantas, são sinais da eterna babaquice (me perdoem pela palavra chula, mas é de doer a paciência este tipo de coisa) que permeia o Metal. Particularmente, este autor advoga que os sentidos devem fazer o julgamento de algo como bom ou ruim sem comparações, pois assim, poderá ver algo bom e que anda procurando sem se iludir. Dessa forma, poderão entender e assimilar o ótimo “Avé”, primeiro disco do trio inglês VENOM INC., que acaba de ser lançado no Brasil pela Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast Brasil.

Ok, todos já sabemos que a formação do trio é aquela do VENOM que lançou o “Prime Evil”, mas há uma diferença substancial: o trabalho do VENOM INC. é mais variado e diversificado musicalmente. Também não é correto rotular o trabalho do trio de Newcastle de Black Metal, uma vez que tem raízes mais profundas no Metal tradicional da NWOBHM e no Metal Punk antigo, com a agressividade na medida certa, boas linhas harmônicas e melodias em profusão. Os vocais de Demolition Man são mais variados e interpretativos (ouça “Dein Fleisch” e entenderá), os riffs de Mantas são bem mais variados tecnicamente e Abaddon está mostrando-se um baterista bem melhor que no passado. Mas é bom lembrarem que o trabalho da banda não prima pela técnica, mas pela música em si, e “Avé” é uma descarga de energia bruta e crua de primeira.

A produção de “Avé” é do próprio Mantas, bem como ele mixou e masterizou o disco. E é aqui que começam as diferenças: a sonoridade é limpa, bem acabada, com a crueza sonora vindo apenas dos timbres instrumentais escolhidos. Tudo soa claro e pesado nas devidas proporções, e a dose de sujeira que existe no disco é aquela na medida certinha para que as músicas soem agressivas e com impacto.

Em termos gráficos, Marcelo Vasco (da PR2 Designs) fez um trabalho ótimo, com uma capa bem icônica, um layout de primeira, e tudo em um formato Digipack de primeira. Só faltaram as letras, sendo esta a única queixa.

É necessário que seja dito uma vez mais: o VENOM INC. é uma banda bem mais diversificada em termos de musicalidade, e com um trabalho de primeira. Cada uma das canções é muito bem arranjada, mas sem que a banda soe sem espontaneidade e energia. Aliás, o trio é bem mais solto do que muitos poderiam esperar, e já nasceu grande, com muito a oferecer.

Embora “Avé” seja bom como um todo, se sobressaem a densa e cadenciada “Ave Satanas” com seus riffs simples e de primeira, fora sua energia assustadora; a pegada mais abrasiva à lá NWOBHM de “Forged in Hell” e o ótimo trabalho de baixo e bateria; já em “Metal We Bleed”, se percebe uma influência um pouco mais moderna em algumas partes, embora a estética da canção como um todo é bem “Old School”, enquanto “Dein Fleisch” é terrorosa e bem atípica para este tipo de gênero de Metal, cheia de melodias sombrias e vocais interpretativos de primeira (vejam como os timbres de voz são bem diversificados); aquela sonoridade causticante em um andamento mais cadenciado que surge em “Blood Stained”; o jeito ganchudo e as guitarras faiscantes de “The Evil Dead”; o caos pestilento e envolvente das melodias sombrias de “I Kneel to No God” (mais uma vez, a base rítmica está muito bem), e o hino Metal Punk de “Black n’ Roll” (outra aula dos vocais e essa vai causar dores de pescoço nos shows).

Sim, “Avé” é um discão, ótimo para todo fã de música pesada e de bom gosto.

Aproveitem que saiu nacional, antes que acabe e você fique chupando os dedos!


PARADISE LOST - Medusa (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,2/10,0

Tracklist:

1. Fearless Sky
2. Gods of Ancient
3. From the Gallows
4. The Longest Winter
5. Medusa
6. No Passage for the Dead
7. Blood & Chaos
8. Until the Grave
9. Shrines
10. Symbolic Virtue


Banda:


Nick Holmes - Vocais
Gregor Mackintosh - Guitarra solo, teclados
Aaron Aedy - Guitarra base
Stephen Edmondson - Baixo
Waltteri Väyrynen - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Falar em certos nomes em termos de Metal é quase sempre uma arte, uma questão de cuidar das palavras que se usa. Isso porque alguns grupos se tornaram ou sinônimo de qualidade ou mesmo são pioneiros de uma vertente de Metal. E um dos que consegue fundir ambos os aspectos é o do quinteto inglês PARADISE LOST, de Halifax, que anda em uma fase criativa tão boa que, mesmo gravando e fazendo tours sem cessar, não perde a qualidade e vem com seu mais novo disco, “Medusa”. E a colaboração entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil nos brinda com a versão nacional.

Em “Medusa”, o grupo vem de baterista novo, já que Waltteri Väyrynen substituiu Adrian Erlandsson. Mas ele não chega a impor mudanças notáveis no trabalho musical do quinteto, que vem mais uma vez com um trabalho intenso e robusto, focado em vocais com timbres agressivos (mas não tão guturais como no passado), aquelas guitarras com riffs agressivos elegantes e solos cheios de melodias fúnebres, além de baixo e bateria estarem criando uma base rítmica bem tocada, com boa técnica, mas com muito peso. Ou seja, a banda está revendo suas origens, especialmente a dupla “Lost Paradise” e “Gothic”, como já haviam feito em “The Plague Within”. Mas dessa vez, existem canções com vocais limpos e muitas partes introspectivas, além de elementos que conhecemos de “Shades of God” e “Draconian Times”. Assim, o quinteto parece ter conseguido fundir elementos de sua fase mais prolífica, apresentando certa dualidade no álbum, e isso é ótimo.

Para a produção de “Medusa”, o grupo mais uma vez contou com a produção de Jaime Gomez Arellano, o mesmo produtor de “The Plague Within” (que ainda trabalhou na gravação, além de mixar e masterizar o disco). Óbvio que está tudo de alto nível em termos de sonoridade, sendo o ponto mais interessante é que a banda consegue soar pesada e suja, com timbres de guitarras bem carregados, mas com uma qualidade sonora de alto nível, com todos os instrumentos muito bem definidos em seus tons, o que nos permite compreender o que é tocado.

Falando da arte gráfica, a capa é muito chamativa justamente pela paleta de cores não usual, e por isso, encaixa como uma luva no contexto sonoro do quinteto. Já para o encarte, a apresentação é bem simples, mas funciona bem.

Agora, falar do trabalho que a banda faz em “Medusa” é chover no molhado. O quinteto sempre soube ser ousado, e neste disco, embora não tão ousado como na época de “Draconian Times”, percebe-se que a banda não deseja viver de passado. As músicas foram bem arranjadas, a dinâmica entre os instrumentos entre si e dos mesmos com as melodias vocais ficou muito boa, e sem falar na presença de Steve Crobar nos backing vocals em “God of Ancients” e de Heather Mackintosh também nos backing vocals em “No Passage for the Dead”.

De um lado, temos canções mais voltadas à brutalidade do passado Doom Death Metal do quinteto formando a maior parte das músicas do CD, onde se destacam a dura e fúnebre “Fearless Sky” e suas ótimas guitarras (fora os “inserts” de vocais limpos), a soturna “Gods of Ancient”, o andamento empolgante de “From the Gallows” (vejam como baixo e bateria estão bem nesta canção) e de “Blood & Chaos” (esta parece vinda de “Shades of God”, pois além das partes de vocais limpos, o trabalho das guitarras empolga), e o peso cavalar e de bom gosto da opressiva “Until the Grave”.

De outro lado, vêm aquelas canções que pegam o lado mais introspectivo e com forte carga melancólica, com vocais limpos, como na pesada e azeda “The Longest Winter” e suas melodias fúnebres envolventes, e a opressiva e intensa “Medusa”, que é cheia de detalhes de baixo e bateria de primeira, fora o solo de guitarra ser muito bom e alguns toques de teclado fortalecem a aura melancólica da canção.

A versão nacional ainda possui duas canções a mais: “Shrines” e seu jeito melancólico com vocais oscilando entre o limpo quase gótico e o gutural agressivo sobre uma base instrumental que ora é mais soturna, ora mais feroz; e a densa e bruta “Symbolic Virtue”, toda em vocais mais naturais e também com a ambientação da canção variando do introspectivo melancólico (onde alguns toques de teclado aparecem) e outras mais sujas.

O PARADISE LOST aparenta dar sinais que mudanças podem surgir mais adiante em “Medusa”, que é um disco de primeira. Mas até que o próximo disco venha, aproveitem bastante dessa versão nacional, que está de primeira!


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

PRONG - Zero Days (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

1. However It May End
2. Zero Days
3. Off the Grid
4. Divide and Conquer
5. Forced Into Tolerance
6. Interbeing
7. Blood Out of Stone
8. Operation of the Moral Law
9. The Whispers
10. Self Righteous Indignation
11. Rulers of the Collective
12. Compulsive Future Projection
13. Wasting of the Dawn
14. Reasons to Be Fearful


Banda:


Tommy Victor - Guitarras, vocais
Mike Longworth - Baixo, backing vocals
Art Cruz - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://prongmusic.com/
Assessoria:

E-mail:

Por Marcos “Big Daddy” Garcia


No cenário Metal mundial, existem bandas tão lendárias e de status “Cult” que, quando lançam discos, podem não vender como as bandas do mainstream, mas fazem trabalhos tão sublimes quanto, quando não as ultrapassam em termos de qualidade musical. E talvez o mais influente e importante desses grupos Cult seja o trio PRONG, de Nova York (EUA). E nem se passou um ano e meio desde “X - No Absolutes”, e lá o grupo com um novo trabalho, o excelente “Zero Days”.

A fase criativa dessa gangue está ótima, já que a mistura de Thrash Metal e Hardcore com timbres e elementos Industriais, além de toques de Groove, está afiadíssima. Mesmo com a substituição de Jason Christopher por Mike Longworth (que já havia passado pelo trio entre 2003 e 2006), a força bruta e cheia de energia do disco não foi afetada. Aliás, em relação ao seu antecessor, “Zero Days” soa ainda mais agressivo, pesado e menos experimental, mas é de um bom gosto e consensualidade com o estilo do grupo, só um pouco mais bem esmerado. Ou seja, o grupo trabalhou duro e chega com mais um disco de primeira.

Novamente, o guitarrista/vocalista e líder do grupo, Tommy Victor, que desta vez teve a ajuda de Chris Collier na engenharia de som e na produção (e ele ainda mixou e masterizou o álbum). A sonoridade resultante é polida e translúcida, com timbres muito agressivos e secos (reparem bem como as guitarras estão bem pesadas), e o grupo soa compacto e abusivamente pesado. É bom tomarem cuidado com os ouvidos, já que a carga sonora de “Zero Days” é massiva e bruta!

A arte gráfica de Sebastian Rohde ficou de primeira, com uma capa crítica, e um layout mais simples, mas funcional e que se enquadra na crítica azedadas letras. É quase uma charada, que fica para o leitor decifrar.

Em “Zero Days”, o PRONG veio para triturar ossos com sua música bruta e moderna, que nunca soa datada, mas viva e agressiva até a alma. Como dito acima, por soar mais agressivo e direto que seu antecessor, o que os leva ao lado mais “hardcorizado” de sua música. Tanto o é que a duração média das canções não ultrapassa os 4 minutos. Mas é tempo suficiente para percebermos que o trio criou mais um disco fantástico, bem arranjado, e muito empolgante. E ponham no molho as participações especiais de Fred Ziomek nas guitarras adicionais em “Ruler of the Colletive”, e nas guitarra solo temos Chris Canella em “Interbeing”, Greg Harrison em “Zero Days”, e Marzi Montazeri em “Operation of the Moral Law”, além dos backing vocals de Steve Hernandez,  Justin “Rodan” Manning, Jason Williams e Chris Collier.

A ultra-agressiva e moderna “However It May End” com seu andamento veloz (mostrando uma base rítmica coesa e pesada), o massacre de riffs impostos na também veloz “Zero Days”, a mistura de Hardcore com sonoridades modernas de “Off the Grid” (preenchida por uma ambientação abrasiva, com muitos “inserts” Industriais), as melodias sedutoras e evolventes de “Divide and Conquer”, o tanque de guerra Crossover de “Forced Into Tolerance” e seu refrão empolgante (os vocais são sensacionais), as linhas melódicas introspectivas e quase melancólicas de “Blood Out of Stone”, o bombardeio de riffs ganchudos em “Operation of the Moral Law” (como as guitarras estão ótimas no disco todo!), a acessibilidade moderna e provocante de “The Whispers” (permeada por um trabalho rítmico ótimo), a crueza dura e direta de “Self Righteous Indignation”, e as linhas melódicas caprichadas dos vocais em “Compulsive Future Projection” e “Wasting of the Dawn” formam uma lista das melhores músicas, embora o disco inteiro seja maravilhoso. E como de praxe, a Shinigami Records nos brinda com uma versão brasileira exclusiva, já que temos a faixa-bônus “Reasons to Be Fearful”, que apesar do peso mamutesco das guitarras e da base rítmica, possui linhas melódicas bem pegajosas e um refrão daqueles que se ouve e não se esquece mais.

Um disco que mostra a essência de uma banda que sempre está adiante de seu tempo, pois o PRONG é assim. Logo, comprem e ouçam esse que é um dos melhores discos do ano!

PRONG é vida!