sexta-feira, 1 de setembro de 2017

RAVENOUS MOB (Thrash Metal - Curvelo/MG)


Banda: RAVENOUS MOB

Início de atividades: 12/2012

Discos lançados: “Unholy Secrets” EP

Formação atual: Lucas Rodrigues, Luiz Gustavo, Michael Almeida e Filipe Zimmermann

Cidade/Estado: Curvelo/MG


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Eu (Filipe) já participava de uma banda anterior com o guitarrista Lucas e tocávamos covers de algumas bandas de Heavy Metal, devido às dificuldades e mudanças que a banda sofreu com baixas de integrantes e estrutura, resolvemos então mudar o rumo da proposta e passamos a compor nossas próprias músicas surgindo assim a RAVENOUS MOB no fim de 2012. Inicialmente Ewerton Melo se juntou a banda como guitarrista onde montamos nosso primeiro estúdio sendo assim o reduto de criação da banda. Devido à precariedade de adeptos ao estilo demoramos a encontrar integrantes dispostos a compor a formação da banda, a princípio conseguimos algumas parcerias para apresentações locais em eventos (Paulo Agostinho nos vocais e Phillipe Diniz no baixo). Em seguida conhecemos o Michael (vocalista) através de alguns amigos que ensaiavam no nosso estúdio e então surgiu um convite para integrar efetivamente a banda. No fim de 2014 a banda entrou em um hiato até meados de 2016 onde acabou sofrendo baixas na formação. Com o retorno começamos a gravar as faixas que viriam compor o EP “Unholy Secrets”. Nesse período conhecemos o Luiz (guitarrista) que entrou efetivamente na banda.

Inicialmente era aquela loucura de adolescente de formar sua banda e rodar o mundo mostrando sua música, sempre tivemos nossas inspirações no Metal e juntar os amigos e tocar era algo que fazia parte da rotina de todos então foi bem natural o processo. Com o amadurecimento dos integrantes essa vontade ainda se mantém firme e cada dia mais forte.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

As dificuldades são muitas, inicialmente no interior de Minas Gerais (estado que já revelou grandes nomes do Metal mundial) a cena nunca se assemelhou ao que a gente encontra na capital, então para bandas do estilo quase nunca passava na cabeça fazer além do hobby. Mesmo a banda contrariando o cenário essas dificuldades ainda são recorrentes

Outras dificuldades que quase toda banda de interior é a questão da estrutura para ensaios, realizações de shows e etc. Além de não dispor 100% do tempo para a banda devido às atividades que todos os integrantes têm paralela a banda. Porém nos mantemos ativos gravando, ensaiando e cumprindo todas as demandas pertinentes a banda.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Como mencionado na pergunta anterior, o cenário não é dos melhores apesar de que ultimamente temos tido algumas iniciativas dos amantes do metal criando festas e festivais para movimentar as bandas locais e o rock na cidade.

Atualmente estamos focados no estúdio preparando o nosso primeiro disco para o fim do ano e continuamos ensaiando e preparando o show de lançamento do mesmo.

A estrutura acompanha a força da cena local que infelizmente não é tão grande assim, mas sempre a galera busca se superar pra oferecer a melhor estrutura possível.



BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Lucas Rodrigues: Falando sobre a realidade nossa (Brasil), o Metal só está morto pra quem não quer enxergá-lo, pois nunca tivemos tantas bandas trabalhando pra se estabelecer na cena principalmente no cenário underground. Hoje em dia, as bandas são muito independentes no sentido de se produzir e as ferramentas que temos hoje de divulgação ajudam a fomentar o movimento. Quem acha que o Metal está morto, principalmente no Brasil, é só dar uma conferida nos programas como os da Roadie Metal e tantos outros meios que dão uma força tremenda pro estilo. De forma geral, é claro que as perdas de grandes nomes do Metal dão a impressão de que o estilo venha a perder força, porém essa visão vem da diversidade em que o estilo se encontra hoje em dia. Talvez a gente não venha a ter grandes nomes como METALLICA, IRON MAIDEN, DIO e outros, mas temos um número muito maior de bandas surgindo no cenário e todas elas carregam uma quantidade considerável de fãs, e isso que mantêm o Metal vivo.

Luiz Gustavo: Na minha opinião, o Metal é o estilo de música que mais tenta se manter isolado de contato com outros gêneros, o que faz com que ele apenas se reinvente dentro dele mesmo. Assim, bandas novas estão, em geral, tentando fazer coisas no mesmo direcionamento das antigas, quase que imitando (em muitos casos imitando) suas referências. Assim, são apenas repetidoras de clichês musicais que não acrescentam nada à cena. Na outra via, as bandas que incorporam influências de outros gêneros e áreas da música não são bem aceitas, já que o público em geral é muito conservador. Dessa forma, vejo o seguinte cenário: as bandas novas são rejeitadas por imitarem ou por tentar serem diferentes (por incrível que pareça), raríssimas se salvando das críticas. O público então continua a ouvir as mesmas bandas de sempre, inclusive “torcendo o nariz” para essas quando as mesmas tentam inovar em suas músicas. Pra mim o cenário só não é mais pessimista porque o metal é uma paixão, sendo muito sincero para quem gosta. Mas em meu ponto de vista, são necessárias mudanças na mentalidade dos músicos e especialmente dos fãs.

Michael Almeida: O meu pensamento se assemelha muito ao do Lucas, porém quando dizem que o Metal está acabando, eu penso o contrário, não por fazer parte de uma banda, mas por ver as bandas do Underground mesmo sem cena por perto estão tentando mostrar seu trabalho e seu som. Independente se vão conseguir fazer sucesso ou não estão tentando de qualquer forma, mas uma base que temos é que hoje encontramos muitos festivais undergrounds que rolam tanto no Brasil quanto no mundo, às vezes a galera nem conhece, mas estes festivais estão recheados de novas bandas de excelente qualidade.

Filipe Zimmermann: Na minha opinião, o Metal nunca morreu, o que acontece nos dias de hoje é que tudo é muito pautado nas bandas clássicas que muitas vezes esse quadro fecha um pouco pra que novas bandas apareçam. Temos ai inúmeras bandas em todos os seguimentos do Metal de extrema qualidade, portanto o caminho trilhado pelas grandes bandas nos anos 60, 70 e 80 está acontecendo agora pra essas novas bandas. Acho que é questão de tempo e de apoio por parte dos empresários, mídias especializadas para que grandes bandas se tornem conhecidas e comecem a trilhar o caminho dos grandes nomes e eu não estou falando do mainstream, o Underground hoje se mostra muito mais promissor nesse sentido, mesmo sabendo que algumas bandas são engolidas pelos grandes empresários mas eu acredito no cenário independente como a melhor forma de renovação no Metal.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Lucas Rodrigues: Dentro do possível acho que já está dando muito certo, porque imaginar o Metal como um estilo predominante em um país diversificado culturalmente como é o Brasil, chega parecer utópico pra quem gosta de Metal.

Luiz Gustavo: O Metal sempre foi um estilo do underground mundial, tendo alguns momentos de maior exposição. O Brasil é um país pouco segmentado em termos de cultura popular, onde o mainstream é dominado pelo dito Sertanejo Universitário e por esse Pop Funk. Ou seja, música de péssima qualidade em todos os sentidos. Estilos mais underground no Brasil - como atualmente é o Rock, o Metal, Fusion, a MPB em geral e a música instrumental - só voltariam a ter exposição na mídia a partir do momento em que o público geral demandasse. Com um aprofundamento enorme na crise educacional e cultural do Brasil, o público tende a se afastar cada vez mais de músicas com arranjos rebuscados, letras mais e subjetivas e com traços poéticos, sons mais difíceis de assimilar e etc. Ou seja, falta gente propensa a gostar dos gêneros mais underground e criarem demanda que faça um circuito surgir. Basicamente, falta o principal.

Michael Almeida: Eu acho que falta um reconhecimento maior das grandes mídias para que possa ser um pouco apresentado no país.

Filipe Zimmermann: Umas das principais coisas é o apoio das outras bandas em reconhecer o trabalho do próximo. Tem muita gente boa fazendo material por ai e às vezes o ego não deixa compartilhar ou apesar incentivar as bandas a continuar fazendo o seu trampo. O Brasil hoje é carente culturalmente (um quadro que só vem se alastrando) que não favorece nem um pouco nosso estilo, fazendo com que as músicas “pobres” conquistem o mercado e a grande massa. Obviamente sabemos que as grandes mídias estão cagando pro underground e tantas bandas de qualidade que tem aparecido, mesmo sabendo que isso nunca acontecerá seria um forte braço pra levantar o Metal no Brasil.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Gostaríamos primeiramente de agradecer pela oportunidade ao Metal Samsara por nos ceder este espaço, a toda a galera que acompanha a banda, a Roadie Metal pela parceria e o recado é pra galera acompanhar o EP “Unholy Secrets” que está disponível para audição no canal oficial da Ravenous Mob no Youtube, estamos trabalhando no primeiro álbum da banda e em breve traremos grandes novidades pra todos.

Join the Mob /,,/

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