sábado, 26 de agosto de 2017

EZOO - Feeding the Beast (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,3/10,0

Tracklist:

1. You are Your Money
2. The Flight of the Sapini
3. C’est La Vie
4. Guys from God
5. Feeding the Beast
6. Eyes of the World
7. Colder than Cool
8. Too High to be Falling
9. Motorbike
10. Since You Been Gone
11. Don’t Look Back
12. Coda


Banda:


Graham Bonnet - Vocais
Dario Mollo - Guitarras
Dario Patty - Baixo, teclados
Roberto Gualdi - Bateria

Convidados:

Guido Black - Baixo, backing vocals em “Eyes of the World” e “Since You Been Gone”


Contatos:

Graham Bonnet:

Bandcamp:
Assessoria:



Dario Mollo:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Juntar duas feras (em termos musicais) é sempre um trabalho bem difícil, já que sempre há o problema de agendas. Mas quando acontece, saiam de baixo: vem coisa boa por aí. E o EZZO nada mais é que um projeto de dois músicos fenomenais: o guitarrista italiano Dario Mollo (conhecido por trabalhar com músicos como Glenn Hughes e Tony Martin) e do célebre vocalista Graham Bonnet (famoso por seus trabalhos com RAINBOW, MSG, ALCATRAZZ e IMPELLITTERI), acompanhados do baixista/tecladista Dario Patty e do baterista Roberto Gualdi (o primeiro é companheiro de Dario no CROSSBONES, VOODOO COLINA e THE CAGE, enquanto o segundo é do THE CAGE). E o que “Feeding the Beast” tem que nos chama atenção??? Simplesmente música do mais alto gabarito, e a Shinigami Records nos presenteia com esse discão em versão nacional!

Em termos de estilo, aqui você tem o bom e velho Hard Rock/Classic Rock que já se conhece dos trabalhos deles. A diferença está na fusão da voz marcante e forte de Graham com o estilo fluido e virtuoso de Dario. Óbvio que pensarão nos trabalhos anteriores deles, mas acho melhor terem calma, pois justamente por ser um projeto, tudo em “Feeding the Beast” é mais solto e espontâneo, sem pretensões de reinventar a roda ou de se exibirem. Longe disso: o trabalho é centrado nas canções, e por isso é tão maravilhosamente envolvente. Cada refrão é excelente, as músicas transitam de uma para a outra de forma espontânea, cheias de feeling e lindas linhas melódicas, mas com boa dose de peso.

A produção foi toda feita por Dario no Damage Inc. Studio, o que garantiu controle sobre a obra. E vemos que ele fez uma produção de primeira, sóbria e sem muitas firulas, para não perder o feeling mais orgânico e livre das canções. A qualidade sonora é clara, com uma estética excelente e ótimos timbres instrumentais. Tudo soa coeso e em seu devido lugar. A arte gráfica do disco é escura, com as letras em branco, fazendo que todas as atenções fiquem somente na música do quarteto.

Como já dito, a música do EZOO é bem espontânea e sem a pretensão de salvar o Rock ‘n’ Roll e o Heavy Metal. Percebe-se que “Feeding the Beast” é um disco que converge musicalmente para a vontade mútua de Graham e Dario trabalharem em algo juntos. E, além disso, na mão deles, as canções não soam datadas, mas bem pesadas e atuais, mesmo em seus momentos mais ternos.

O disco é bom de ponta a ponta, sem exageros ou músicas que se destaquem. Mas este autor (após um esforço enorme) se atreve a citar a provocante e envolvente “You are Your Wallet” e seu peso agradável (além de belos arranjos de guitarra e vocais bem postados), a mais atual e intensa “C’est La Vie” e sua riqueza de arranjos de guitarra (for baixo e bateria estarem muito bem e coesos), o peso boogie presente na pegajosa “Guys from God”, a intensa e diversificada “Feeding the Beast” e suas passagens que se alternam entre melodias mais intimistas e momentos mais secos (reparem na beleza dos arranjos de guitarra e solos, bem como nos teclados, e tudo isso em 11 minutos que passam ligeiros), “Colder than Cool” e “Too High to be Falling” (ambas com um jeitão de Classic Rock modernizado e com belo trabalho dos vocais), a “hardoza” com um jeitão meio anos 80 “Motorbike”, o peso das guitarras com um tempero melodioso dos teclados em “Don’t Look Back”, e as instrumentais “The Flight of the Sapini” (onde a guitarra chega a soltar fumaça pela rapidez de Dario) e “Coda” (em que um ado mais sensível e melancólico das seis cordas está evidenciado).

Acabou?

E vocês acreditam que eu deixaria de for a as versões do EZOO para “Eyes of the World” (do RAINBOW) e “Since You Been Gone” (que o RAINBOW popularizou, mas que é de Russ Ballard, mesmo autor de “God Gave Rock ‘n’ Roll To You 2”) de fora? A primeira mostra o lado mais seco e agressivo do Hard Rock, com enfoque nas guitarras, enquanto a segunda é um clássico, cheia de melodia e boa presença de teclados, baixo e bateria (mas com um refrão único e marcante). E em ambas, os vocais são perfeitos.

Quando dois monstros se juntam para fazer música, e o foco fia somente nela, não tem erro. O EZOO é assim, e “Feeding the Beast” é um disco daqueles que se ouve todos os dias, e várias vezes!