segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

SEVENTH SIGN FROM HEAVEN - Judgement of Egypt (EP)


2017
Selo: Independente
Nacional



Nota: 8,2/10,0


Tracklist:

1.      Judgment of Egypt
2.      The Devil Fears Your Name
3.      Paid on the Cross
4.      Pain in Yours Eyes
5.      The Return


Banda:

Mark Neiva - Vocais, guitarras
Álvaro Mkbrian - Guitarras
Zinha Soares - Baixo
Filhin Nascimento - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
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Bandcamp:
Assessoria: https://roadie-metal.com/press/seventh-sign-from-heaven (Roadie Metal Assessoria)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


É interessante observar que centros em formação de bandas sem a mesma exposição ou peso de RJ, SP ou MG continuam revelando nomes interessantes em termos de Metal. E para quem não sabe, o Piauí revelou nomes históricos, como o AVALON, banda de Thrash Metal muito conhecida nos anos 90 (que havia nascido das cinzas do VÊNUS, banda de Hard Rock que chegou a lançar um EP gravado em 4 canais na segunda metade dos anos 80). E da cidade de Picos, que dista 308 km de Teresina (o que dá uma viagem de pouco mais de 4 horas), vem o SEVENTH SIGN FROM HEAVEN, um quarteto de Heavy Metal tradicional, e que estreia com seu EP “Judgement of Egypt”.

O estilo da banda é forte e vigoroso, cheio de boas melodias, e bem cheio de energia e personalidade. Refrãos que empolgam, e apesar de não trazerem nada novo ou diferente do que já conhecemos, tem valor. Os arranjos não são de extrema complexidade, bem como suas harmonias são bem construídas e consensuais, mostrando ótimas guitarras (inclusive com duetos e duelos de solos à lá JUDAS PRIEST muitas vezes), ótima base rítmica. O único porém está nos vocais, que precisam evoluir um pouco mais em termos de agressividade (embora sejam muito bons nos momentos mais lentos), embora isso não faça com que o nível do trabalho do quarteto caia.

A produção é de Carlos Magno, que apesar de não ser perfeita, está muito boa. A sonoridade é limpa, com o peso certo para a banda, e boa dose de agressividade. Os tons estão muito legais (especialmente nas guitarras), os cuidados tomados para que a banda soasse pesada e clara foram ótimos, e imaginem as dificuldades de se fazer algo assim no Brasil.

A apresentação visual, por sua vez, ficou ótima. A capa de Marcus Lorenzet ficou ótima, muito bonita e criando uma ambientação densa. E imagine isso em um Digipack de 3 folhas com um layout bem feito.

Nas cinco músicas de “Judgement of Egypt”, se percebe uma banda de muito potencial, e que mesmo tendo seus pés calcados no Metal tradicional, usa de elementos de Thrash Metal à lá METALLICA em alguns momentos. As melodias nos envolvem de tal maneira que o tempo passa em um mero piscar de olhos.

“Judgment of Egypt” é uma faixa bem trabalhada e pesada, com belo suingue e um trabalho excelente das guitarras (percebam como alguns arranjos à lá Thrash Metal surgem nos riffs, e o jeitão da NWOBHM transpira nos solos), enquanto “The Devil Fears Your Name” tem um jeitão meio acessível, uma herança do Hard’n’Heavy que os influencia, com um trabalho bem sólido de baixo e bateria. Mais introspectiva e bela é “Paid on the Cross”, que ganha uma pegada pesada no meio, mas retorna ao lado mais lento próximo do final, e justamente nessas partes mais limpas os vocais ficam muito bons. E novamente os vocais ganham destaque na acústica “Pain in Yours Eyes”, uma balada de violão e voz muito bonita e envolvente, mostrando uma diversidade interessante no trabalho do quarteto. Fechando, com um peso à lá PRIEST/MAIDEN em seus melhores momentos é “The Return”, mostrando que guitarras e base rítmica estão alinhadas perfeitamente.

Ajeitando os vocais, ninguém segura esse quarteto!

Roadie Metal Vol. 10 (coletânea)


2017
Selo: independente
Nacional

Nota: 8,3/10,0

Tracklist:

Disco 1:

1.      EXORDDIUM - Hail
2.      SPHERASTRAL - My Destiny
3.      TUPI NAMBHA - Invasão Alienígena
4.      DIXIE HEAVEN - Riding the Thunder
5.      HOLDER OF SOULS - Holder of Souls
6.      ANFEAR - Lady of the Rivers
7.      PERPETUAL LEGACY - Looking for the Endless Light
8.      RUI CAMPOS - Sobre o Tempo
9.      THE MELTIES - Hit Me
10.  ATRORIUM - One More Victory
11.  HECTOR RIBEIRO - Between Life and Death
12.  KABESATÉLITE - Verme
13.  ALMA NEGRA - Verdades Controvérsias
14.  SUMERIUS - Tudo ou Nada
15.  VOLÚPIA - Rebelião
16.  PELTSROCK - Oceanos
17.  EM CHAMAS - Devil in my Mind
18.  JOHNNY O’RIVER - Koctive


Disco 2:

1.      INNER FLAMES - Expurgo
2.      PLACE TO DIE - The Cohesion of Your Acts
3.      THE DAMNED HUMAN FLESH - Ruínas
4.      LONE HUNTER - The Wake Up of Angry
5.      HOLLOW HEAD - Disrupted Conduct
6.      KALONIA - The Blame Will Haunt You
7.      COLLAPSE NR - Chega!
8.      UFRAT - Confronting Death
9.      GRAVEKEEPERS - Senhor do Caos
10.  VEUMOR - Insula Morgue
11.  THRASHALL - Recaída
12.  LAMENTO - Elysium
13.  AÇÃO LIBERTÁRIA - Cidadão de Bem
14.  CRUSHING SOULS - Nossos Inimigos
15.  MONSTERHEAD - This Perfect Game
16.  REVENGE RITUAL - Jogado as Traças
17.  ONE THOUSAND DEAD - Infernizando
18.  SONS OF RAGE - The Two Faces of a Man


Contatos:



A coletânea “Roadie Metal” já tem seu espaço garantido no Metal nacional.

Ela começou de forma bem tímida, mas foi ganhando mais e mais espaço com o passar do tempo, e hoje é um sucesso entre fãs de música pesada do Brasil. E chega mais uma edição, o décimo volume, e mantendo sua proposta igualitária, vemos juntos nomes jovens e alguns emergentes do cenário nacional. E, dessa forma, todas as bandas ganham uma boa divulgação, pois ouvindo cada um dos dois discos, sempre tem algo que vai gostar, mas vai precisar ouvir.

Entenderam? Você já tem uma ou duas que gosta a início, mas pode achar outras, pois a aposta é boa!

E mais uma vez, como em todas as resenhas de volumes anteriores da “Roadie Metal”, é necessário avisar o ouvinte: como em qualquer coletânea, sempre existe a oscilação de qualidade de som de uma banda para outra. E lembrando: cada estilo tem sua forma pessoal de soar, e também temos que as condições para cada grupo é diferente, logo, não exijam de todas as bandas a mesma qualidade sonora. E além disso, a arte ficou mais uma vez muito boa.

Cada banda tem sua identidade, e assim sendo, tem o que oferecer aos ouvintes. Algumas ainda necessitam de uma polida, outras que uma qualidade sonora mais bem feita, mas todas têm potencial.

Para mera referência do leitor, citamos alguns destaques.

No disco 1 se sobressaem o trabalho “heavyssívo” do SPHERASTRAL na ótima “My Destiny”, a criatividade do Metal nativo apresentado pelo TUPI NAMBHA em “Invasão Alienígena” (que faz um mix de primeira de elementos indígenas com Metal que é de primeira, com ótimo trabalho da base rítmica), a pancada tradicional e melodiosa do DIXIE HEAVEN com “Riding the Thunder”, a criatividade do HOLDER OF SOULS em “Holder of Souls”, a elegância ceia de boas melodias e envolvente do ANFEAR em “Lady of the Rivers” (as harmonias seduzem os ouvintes, com arranjos de teclados e guitarras de primeira, sem contar esses vocais femininos belíssimos), o jeitão sinfônico belo e criativo do PERPETUAL LEGACY apresentado na acessível e ganchuda “Looking for the Endless Light”, a sujeira abusiva e feroz do THE MELTIES em “Hit Me” (quase que um MOTORHEAD com vozes femininas), a debulhada “satrianesca” instrumental de HECTOR RIBEIRO em “Between Life and Death”, e o trabalho modernoso e agressivo KABESATÉLITE em “Verme” (mezzo Rapcore, mezzo Hardcore, é bem feito e com boas linhas e baixo e bateria), as linhas harmônicas.

No disco 2, se destacam a fúria abrasiva do INNER FLAMES em “Expurgo”, a aproximação agressiva do PLACE TO DIE em “The Cohesion of Your Acts” (ótimo trabalho, só os vocais precisam dar uma melhorada), o esporro brutal do THE DAMNED HUMAN FLESH em “Ruínas”, o Thrash clássico raçudo do HOLLOW HEAD em “Disrupted Conduct” (aquele jeitão melodioso e ganchudo à lá METALLICA dos tempos antigos, muito bem feito, mas cujos vocais precisam melhorar), a fluxo insano de adrenalina do KALONIA em “The Blame Will Haunt You”, a energia crua do UFRAT em “Confronting Death” (outro a trilhar os caminhos do Thrash Metal, com ótimas guitarras), a agressividade melodiosa e envolvente do VEUMOR em “Insula Morgue”, a fúria Thrashcore suja do AÇÃO LIBERTÁRIA em “Cidadão de Bem”, a torrente de inconformismo raivoso do CRUSHING SOULS em “Nossos Inimigos”, e a pancadaria suja e cheirando à ódio do ONE THOUSAND DEAD em “Infernizando”.

No mais, a “Roadie Metal Vol. 10” vem para dar continuidade a um ótimo trabalho: o de dar espaço a quem não tem oportunidades.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ESCARNNIA (Thrash/Death Metal - Palmas/TO)


Início de atividades: 2012
Discos lançados: “Humanity Isolated”
Formação atual: Ismahell (vocais, guitarra), Samuel (bateria), Natanael (baixo) e Valber (guitarra)
Cidade/Estado: Palmas/TO


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Samuel Santos: A banda surgiu de um desejo já antigo, desde jovem montava uma banda ou outra, mas nunca vingava, então em 2012 conseguimos finalmente a primeira formação, nesse mesmo ano fizemos a nossa primeira apresentação e foi insano superou nossas expectativas, nosso primeiro baterista não pode continuar e somente em 2013 a banda firmou a formação que dura ate hoje, nesse meio tempo fizemos grandes shows ao lado de bandas com TEST, DISGRACE AND TERROR, HEIA, MEGAHERTZ e WORST onde o guitarrista Tiago Hóspede nos deu a oportunidade de gravarmos primeiro álbum.


BD: Falem um pouco sobre este atual álbum. Como foi feita a parte de composição, gravação e lançamento?

Samuel: Gravamos em Sumaré/SP, no estúdio Lamparina a gravação e a masterização foi de Tiago Hóspede, guitarrista da banda (WORST).

Todas as letras foram escritas pelo nosso vocalista Ismael Santana, em nossas músicas, falamos sobre a vida cotidiana e sobre como as indignações mundiais sobre uma religião que eles tomaram e também sobre o mal das guerras.

Lançamos no inicio de 2017 onde convidamos bandas locais, o evento foi um sucesso fãs das cidades vizinhas compareceram em peso, foi um lançamento caloroso e bastante empolgante.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Samuel: A burocracia para participar em muitos eventos no Brasil, a parte financeira contribui diretamente, e grandes bandas acabam por não conseguirem conciliar banda com a vida social.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Samuel: Dentro da cena Tocantinense já tocamos desde palcos com ótima estrutura ate o mais underground possível, já participamos dos maiores eventos do nosso estado e sempre fomos bem recebidos e em questão do movimento atual em comparação há anos atrás deu uma esfriada geral.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Samuel: No Brasil é bastante complicado manter uma banda na cena underground, por falta de incentivo e pela questão financeira, tendo em vista que para uma banda ganhar destaque grande importância.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Samuel: Os fãs do gênero valorizarem mais as bandas locais, comprar matérias das bandas e ir aos shows, e isso de uma certa forma dar incentivo para que as bandas possam prosseguir.


BD: Fale um pouco dos recentes videoclipes/webclipes lançados. Como foi trabalhar neles e produzi-los?

Samuel Santos: O primeiro que foi da musica “Total Death” serviu de grande importância na divulgação do nosso trabalho de estreia, foi bastante cansativo a produção mas o resultado foi bem gratificante.



BD: Quais são os projetos futuros da banda?

Samuel: Estamos organizando nossa primeira turnê, nossos planos estão focados no lançamento do nosso primeiro álbum e pretendemos ser reconhecidos pelo mundo, estamos trabalhando para isso, é tornar-se real.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Samuel: Agradecemos primeiramente a todos que acompanham nosso trabalho e que nos acompanham nessa jornada e que de alguma forma nos apoiam pelas redes sociais ou indo aos shows, muito obrigado Headbangers!!


Links para contatos:



Links para audição:


Veja o vídeo para “Total Death”:

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

THREESOME - Keep On Naked (EP)


2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 9,2/10,0

Tracklist:

1. Sweet Anger
2. My Eyes
3. ERW


Banda:


Juh Leidl - Vocais
Fred Leidl - Guitarras, piano, vocais
Bruno Manfrinato - Guitarras
Bob Rocha - Baixo
Henrique Matos - Bateria


Contatos:

Site Oficial: www.3somerock.com
Bandcamp:
Assessoria: www.somdodarma.com.br (Som do Darma)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


“Sexo, Drogas e Rock ‘n’ Roll” é um antigo lema que é ensinado quase que de pai para filho quando falamos de Rock ou Metal no mundo inteiro. Mas poucas vezes o primeiro elemento desse triunvirato tem sido abordado no meio Rocker há alguns anos no Brasil. Mas ainda bem que tem gente que está fazendo, e outros que estão mostrando coragem e pondo a cara no mundo. E o THREESOME, de Campinas (SP), é um deles. E após o álbum “Get Naked” de 2014, o quinteto vem de novo com um EP, “Keep On Naked”.

Com uma vibração crua e certeira, o grupo se mostra influenciado pelo Rock ‘n’ Roll dos anos 60 e 70 (mas com óbvia pegada atual), alguns toques de Alternativo, Indie, além de um pouquinho de Blues e Jazz. Novo? Não, mas nas mãos dos membros do quinteto, a velha fórmula ganha uma vida nova toda deles, cheia de energia e com ótimas melodias, daquelas bem acessíveis. E dessa forma, a música do THREESOME nos envolve e seduz com facilidade.

A produção do EP é de primeira.

As mãos do conhecido produtor Maurício Cajueiro (que já trabalhou com nomes como LINKIN’ PARK, STEVE VAI, GLENN HUGHES, GENE SIMMONS, STEPHEN STILLS, entre outros), que captou, fez a mixagem e a masterização do EP no estúdio Cajueiro, em Campinas mesmo. E não estranhem se a sonoridade lhes soar extremamente orgânica, pois foi tudo gravado direto em fita de rolo. Ou seja, analógico, mas sempre tendo em mente que a sonoridade crua e ceia de energia não poderia se tornar suja demais (pois o trabalho do quinteto pede algo bem acabado), logo, tudo pode ser ouvido com clareza e com excelentes timbres.

A capa de “Keep On Naked” é de Juh Leidl (vocalista da banda, e que também é artista plástica). A sensualidade e apelo são sensíveis, mas nada depravado. É bonito e com classe.

A sujeira e espontaneidade na música do THREESOME é algo muito claro aos ouvidos. Muita energia, mas sempre com músicas bem feitas, arranjos em que se percebe que a banda pensa bem no que faz, mas sem que se perca a leveza e espontaneidade. E as letras, que falam de sexo, pegam em uma visão um pouco mais rebuscada, tratando o assunto de um ponto de vista que valoriza as relações humanas, mas a estética lírica foge do comum.

Das 3 músicas do EP, duas são regravações do primeiro álbum da banda: “Why Are You So Angry?” se tornou “Sweet Anger”, e “Every Real Woman” aqui se chama “ERW”. Ambas possuem a mesma energia e pagada de suas originais, apenas soando atualizadas e mais densas devido à produção analógica (a primeira pesada e com uma energia fascinante, além de ótimas guitarras; enquanto a segunda é mais acessível, mas com boa dose de agressividade e mostra uma presença firme e de primeira de baixo e bateria). E “My Eyes” é inédita, com um andamento que não é rápido e nem lento, com maior enfoque nos vocais masculinos, o que a deixou mais agressiva que as outras, mas mesmo assim a estruturação harmônica e melodias são excelentes (repare que os vocais femininos também surgem bastante em certos momentos).

O THREESOME é uma ótima banda, com um trabalho realmente excelente. Uma ouvida em “Keep On Naked”, e você estará fisgado!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

SILVER MAMMOTH - Silver Mammoth Singles (Single)


2017
Nacional

Nota: 9,6/10,0

Tracklist:

01. Let Me Hide You
02. Coup to The End


Banda:


Marcelo Izzo - Vocais
Marcelo Izzo Jr. - Guitarras
Guilherme Barros - Guitarras
Felipe Leão - Teclados
Chakal - Baixo
Ibanes Liba - Bateria


Contatos:

Site Oficial: silvermammothband.com
Bandcamp:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Apostar no Hard Rock/Rock ‘n’ Roll dos anos 70 já se mostrou uma tendência consolidada, permitindo que boas bandas surjam por todos os cantos que possamos imaginar. No Brasil, estão alguns dos melhores nomes do gênero, uma vez que o sangue mestiço do brasileiro, somado ao Groove e pegada do estilo sempre rende coisas muito boas. E eis que o sexteto SILVER MAMMOTH, um dos nomes mais fortes do estilo por aqui, retorna com mais um trabalho, dessa vez um Single, chamado “Silver Mammoth Singles”.

O grupo faz um Hard Rock vigoroso e forte, com ótimas doses de Groove e psicodelia sonora, remetendo bastante aos anos 60 e 70, mas sem que soe datado para os ouvintes. Óbvio que existem aqueles elementos envelhecidos, mas nas mãos de quem sabe o que faz, sempre rende bons frutos. E esses sujeitos sabem muito bem o que estão fazendo, conhecem a coisa, e por isso, flui deles uma música provocante, cheia de melodias bem feitas e detalhes interessantes, mas com boa dose de peso. Não é à toa que foram um dos destaques de “Going to Brazil... The Brazilian tribute of Motorhead”, com uma versão ótima para “White Line Fever”.

O Single foi produzido por Marcelo Izzo e Rafael Agostino. E na sonoridade transparece a preocupação de soar claro e inteligível para o ouvinte. E nessa sonoridade bem cuidada (que não deixa de ter a devida crueza necessária), com bons timbres instrumentais, o trabalho musical do grupo se agiganta, pois peso, melodia e Groove fluem em doses homeopáticas, mostrando que não é necessário soar empoeirado ou bolorento para se fazer um trabalho nesse estilo musical.

E a arte é assinada por João Duarte, um designer bem conhecido (que fez a arte de “Mindlomania”, disco anterior do sexteto), onde se vê uma apresentação mais simples, direta e funcional estabelecendo que o foco é mesmo na música.

O SILVER MAMMOTH evolui de trabalho em trabalho, sempre nos mostrando uma consensualidade entre o que já fez e o que está fazendo. Mais uma vez: longe de soar datado, a música deles é cheia de energia, cativante e sedutora. Bem arranjada, mas sem que perca a espontaneidade, o trabalho é de primeira.

Em “Let Me Hide You”, um Groove melodioso e cativante nos seduz logo de cara, com uma música rica em detalhes e com um ótimo refrão, excelentes guitarras e teclados perfeitos, fora um peso enorme. Com um swing que remete ao Boogie Rock da virada dos anos 60 para os 70, “Coup to The End” vem com enfoque no lado pesado, mas novamente com um refrão envolvente, além de um trabalho de baixo, bateria e vocais de primeira.

Infelizmente, “Silver Mammoth Singles” só têm essas suas canções, deixando um acentuado gosto de “quero mais” no ouvinte. E um conselho aos apaixonados por vinil: esse Single foi lançado exclusivamente no formato 7”, logo, aproveitem!

Que banda!