No final da tarde de 27/11/2017, soubemos do falecimento de Nilton Magalhães, o conhecido Bahiano, vocalista da banda BAGA.
Não sabemos ainda a causa mortis, mas fica em todos nós do cenário underground/alternativo do Rio de Janeiro, nossa singela homenagem. O cenário do RJ perde um amigo, um irmão, uma figura carismática e querida por todos, uma pessoa de pensamento político forte e esclarecido, um amante dos animais, e uma das figuras mais emblemáticas do underground.
Nas palavras de Daílson Sabino, o conhecido DJ Terror (administrador/dono do point Subúrbio Underground). Peço licença para usá-las, Terror.
"(((( + 27 / 12 / 83 - 27 / 11 / 17 + ))))
Uma das figuras mais carismáticas do Underground Carioca, Baiano, um dos vocalistas da banda BAGA, acaba de nos deixar!
Figura doce, amiga, parceira, defensor dos animais, e uma das presenças mais constantes em eventos do Subúrbio Alternativo.
Fica aqui nossa homenagem, a essa ilustríssima pessoa que tanto fez pela cena Underground Carioca junto aos seus parceiros de banda, uma perda irreparável !!
" VÁ EM PAZ BAIANO, JÁ ESTÁ FAZENDO FALTA"
(Por Dailson Terrock - DJ Terror)"
Este autor, que teve a felicidade de conhecer Mestre Bahiano, agradece pela amizade, pela oportunidade de sermos amigos, e desejo que, do fundo do coração, nos encontremos na próxima encarnação. E que sejamos amigos mais uma vez, e eu possa aprender contigo de novo...
OM SHANTI, meu querido amigo/irmão Bahiano, parta em paz, e até a próxima...
Formação atual: Sérgio Ferreira (vocais,
guitarra), Mark (guitarra), Wesley Ribeiro (baixo fretless), André Bastos (bateria)
Cidade/Estado: Belo Horizonte/MG
BD: Como a banda começou?
Sérgio: Começou como uma vontade de
voltar a fazer um som, uma decisão minha com meu irmão, que deixou a banda
depois de um ano. Queria apenas fazer jams. Aí convidaram a gente para fazermos
um Big Four Cover tocando Slayer, e
aí obvio que aceitamos. Depois de 3 shows, achamos que tínhamos que compor e
fazer nosso som e assim começou tudo de verdade. Estamos tocando há décadas,
tinha uns 10 anos que não fazia som com o Overdose
e estava na fissura para voltar a tocar. Mark
e Wesley também meio parados com o Sextrash e Wesley tinha saído do Drowned
e Humurabi... André está na ativa demais, toca em várias bandas em BH, acho que
era o que mais estava tocando… Enfiamos as caras e compusemos disco, gravamos e
saímos tocando. Nosso primeiro show já foi abrindo para o Suicidal... kkkkkk... Foi engraçado até... Mas começamos com o pé
direito!
BD: O que os incentivou a formarem
uma banda?
Sérgio: Somos músicos desde novos acho
que está no nosso sangue, acho que é isso. Nós quatro respiramos música e por
caminhos diferentes chegamos onde estamos hoje, com trajetórias diferentes, mas
agora felizes com o HELL’S PUNCH.
BD: Quais as maiores dificuldades
que estão enfrentando no cenário?
Sérgio: Cara, a cena está caída demais,
shows vazios, prejuízos e etc... Amador total. Acaba que poucas bandas
vivem de Metal hoje no país, 2 ou 3, e nem sei se vivem bem, mais.... Eu fui da
época ainda que gravadora dava suporte, vendia-se CD, LPs e etc. Fiz 4 turnês mundiais
com o Overdose em esquemas
totalmente profissionais. Tour Manager, tour support, som, luz, agência de turnê,
gravadora, merchandising, despesas pagas, cachê bom e etc... Hoje, vejo bandas
tendo que pegar incentivo cultural para viajar em esquemas amadores, tocando
para meia dúzia de pessoas. Vão sozinhos, na cara e na coragem, para tentar
algo em esquemas que, às vezes, são piores que aqui. Isso é triste, além de não
achar isso muito legal (usar recursos do governo). É uma pena. Eu acho que Metal
e HC são sons para poucos, mas não exageremos né (risos)?
Tem que
ter gente nos shows, tem que ter mosh e hoje tá complicado.
BD: Como estão as condições em sua
cidade em termos de Metal/Rock?
Sérgio: Aqui (BH) é dominada por banda
cover... kkkk.... Acho tão engraçado por que chegam a ter fã-clube, kkkkk... Fã
de cover chega a ser surreal, mas é isso, embora algumas sejam homenagens
lindas a bandas (nada contra só acho que não deveria ser só isso)... Só tem
público show cover, e para mim isso demonstra a estupidez cultural que vivemos
também. Um ou outro lugar na cidade ainda dá para tocar com público razoável -
Stonehendge, Matriz... Acho que são esses locais ainda vivos para o som pesado.
Mas comparado à cena de dos anos 90, não tem nem 10% do público. Triste...
BD: Conseguem tocar com regularidade?
Sérgio: Até que conseguimos tocar um
pouco, mas bem menos que acho que seria legal.
BD: A estrutura é boa?
Sérgio: Poucos lugares têm estrutura
boa, vivemos uma crise não só no país como também no Metal e HC nacional e
mundial. Mas tocamos por amor e vamos continuar a meter bronca!! Segundo CD já
está sendo composto e a gente mete as caras e fazemos mesmo!!! Fazemos porque
amamos isso!
BD: Hoje em dia, muitos gostam de
declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando.
Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?
Sérgio: Metal nunca vai acabar, mas sim,
passa por crises. Acho que sangue novo tem que aparecer e por vezes coisas boas
aparecem mesmo. NUNCA vai morrer, mas das crises que vivi nessas 3 últimas
décadas essa é a pior, sem dúvida! Quem gosta de Metal e HC não liga para crise
nem porra nenhuma, tá no sangue! Mas agora está preocupando um pouco mais.
Acho que há uma estupidificarão enorme da juventude e banalização da cultura e
sendo assim acho que o metal, que é um som de alto nível de maneira geral,
tende a sofrer mais.
BD: Em termos de Brasil, o que ainda
falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?
Sérgio: Cara, acho que estamos no ciclo
de baixa agora, mas acho todos tem que participar dos eventos, temos que tocar
e foda-se! Acho que só assim a coisa pega. Se não comparecermos não vai ter
incentivo em fazer show de Metal. Acho que Metal sempre foi underground e
quando vira mainstream dá merda, mas o underground está sem se movimentar e
temos que retomar isso tocando, gravando bons sons e unindo esforços para
fazermos bons eventos.
BD: Deixe sua mensagem final para os
leitores.
Sérgio: Porra,
obrigado pela força Metal Samsara, continuar apoiando é o modo de fazermos
nossa parte para coisa melhorar para todos que verdadeiramente curtem Metal. À
galera das antigas e galera nova, o HELL’S
PUNCH está por aí tocando em todas as mídias sociais, streaming, para
baixar o CD, e ainda temos CD físico à moda antiga pela Cogumelo Records. Façam
contato! Sempre batemos um papo nas mídias com a galera que curte no Brasil e
fora tb. Tem sido muito legal! Não interessa o quão mal o mercado está,
estaremos fazendo som e tocando para quem quiser ouvir, todos são bem-vindos!!!!
Maus tratos a 95% da população do nosso país. É sempre
assim, é a história de 517 de uma nação que erra e não aprende. Continuam
presentes no dia a dia o ódio aos menos afortunados, aos homossexuais, ao
afrodescendente e indígena, ou seja, em tudo. Ódio que necessita ser extirpado,
nem que em uma dolorosa cirurgia sem anestesia, pois nada justifica tanta
opressão, tanto ódio, tanta afronta às diferenças. E carregados de revolta
suficiente para rasgar os céus, o agora quarteto pernambucano MATAKABRA chega com seu mais recente
trabalho, o EP “Marginal”.
Se em “Prole” (EP
anterior da banda) eles já davam sinais que não são a típica banda de Metalcore
com passagens limpas e de melodias evidentes, aqui fica mais clara a vocação
extrema do grupo. Ainda com uma sonoridade moderna (clara pelos timbres
gordurosos dos instrumentos, apesar de bem definidos), percebe-se que o grupo
está ainda mais raivoso e extremo, quase como se pudéssemos chamar o estilo
musical deles de Death Metalcore. E não, não seria nenhuma heresia, já que
elementos os elementos de Death Metal de antes estão mais evidentes dentro da
musicalidade moderna do quarteto.
Produzido por eles mesmos, a sonoridade de “Marginal” é ainda mais abrasiva e
brutal que em prole. A afinação baixa das guitarras e baixo deixaram tudo ríspido
agressivo, mas a sonoridade continua limpa e intensa. Sim, o grupo conseguiu um
bom nível de sonoridade mais uma vez, mas um passo adiante do que já haviam
mostrado antes.
A arte da capa evoluiu, em um trabalho muito bom de Pedro
Muniz, deixando claro que o trabalho do grupo é focado em algo agressivo até os
ossos.
O EP abre com “Ogum”,
uma introdução que começa com efeitos climáticos, para logo surgir a sonoridade
de berimbaus, evocando a herança afro-brasileira de todos nós. Mas quando “No Açoite”, recheadas por influências
modernas e com baixo e bateria trovejando em ritmos quebrados e técnicos (mas
ouve-se um solo de guitarra caótico, mas bem feito). E “Mordaça” mostra um lado um pouco mais melodioso, embora a
brutalidade reine, mostrando vocais urrados ótimos e riffs de guitarra de cair
o queixo (e mesmo algumas partes rappeadas surgem, cheias de efeitos de
teclados, deixando tudo ainda mais moderno).
Torno a dizer: já passou da hora do MATAKABRA gravar um álbum, pois o grupo é ótimo!
Ouçam, se apaixonem, e aporrinhem bastante seus vizinhos!
Em termos culturais, o Metal do Brasil anda progredindo.
Muitos estão fugindo do “mais do mesmo” em termos de letras e buscando algo
diferente, numa forma de se destacarem do tsunami de certos estilos. Alguns
realmente se superam, criando um trabalho cultural de primeira, mas ao mesmo
tempo, com o lado musical ditando as regras e se mostrando. E de Natal (RN),
terra tão fértil e cheia de boas bandas, o experiente PRIMORDIUM vem mostrar sua força mais uma vez com seu mais recente
trabalho, “Old Gods”, seu segundo
Full Length.
Óbvio que algum ou outro fã vai seguir os olhos e falar em NILE, pois a banda aborda a mitologia
egípcia em suas letras (em geral, os mais radicais são assim). Mas quem se guia
pelos ouvidos vai encontrar uma banda com um Death Metal diferenciado: agressivo
e bruto, mas lapidado por boa técnica e algumas melodias soturnas que surgem aqui
e ali. Ao mesmo tempo, o uso de percussões (que dão, ao mesmo tempo, um ar
oriental e um jeitão regional), flautas, cítaras e violinos dão aquele requinte
especial, aquele traço de personalidade própria que eles buscam. E dessa forma,
“Old Gods” mostra o quanto o
trabalho do quinteto é precioso e diferente.
Para resumir: o PRIMORDIUM
veio para chocar os mais conservadores e conquistar novos fãs.
João Felipe Santiago
(baixista do grupo) foi o produtor, além de mixar e masterizar “Old Gods”. A sonoridade busca ser
clara suficiente para que o ouvinte consiga compreender a complexidade musical
do quinteto, mas a crueza nos tons de guitarra e bateria poderia ser menor. Não
chega a estragar o trabalho, mas o grupo merecia uma sonoridade mais esmerada
nesse aspecto. Mas está boa, pois compreendemos claramente os instrumentos e
vocais, percebemos os arranjos, e, além disso, tem peso e agressividade.
A arte da capa é de Sandro
Freitas, e ficou muito boa, mostrando a concepção lírica do grupo. E o
layout e encarte são de Alcides Burns,
conhecido designer gráfico. Tudo para que a arte visual seja tão grandiosa como
o lado musical.
E musicalmente, o PRIMORDIUM
corresponde. Justamente pela capacidade de criarem e pela falta de pudores com
as famosas “regrinhas do Metal”, eles te potencial para se tornarem um dos
maiores nomes do Metal nacional. Arranjos bem feitos, uma dinâmica instrumental
que não nos deixa entediados (pelo contrário, nos prende ao trabalho musical da
banda), e sem falar nos convidado que deram um toque todo pessoal e abrilhantam
“Old Gods”. Pessoas de bandas como SON OF A WITCH, EXPOSE YOUR HATE, TONANTZIN,
NIGHTHUNTER, MIASTHENIA, OMFALOS, AGNIDEVA, BOCA DE SINO, e TERRORZONE.
Não é possível falar de uma canção em especial que seja,
pois eles capricharam.
Por mera necessidade de conceder uma referência inicial aos
ouvintes, destacam-se “Num (Pralaya)”
(brutal e opressiva, mostrando riffs de primeira, mas logo as percussões
regionais dão aquela ambientação oriental que nos seduz), a ganchuda e envolvente
“The Awakening (Manvantara)” e mudanças
de ritmo (cheia de belos violinos, percussões, vocais femininos aqui e ali, além
de orquestrações bem feitas e do ótimo trabalho de baixo e bateria), o peso
opressivo e azedo de “God of Light”
e suas passagens sutis de teclados (e mais uma exibição técnica de gala por
parte de baixo e bateria) e “Geb’s
Throne” (esses guturais à lá Karl
Willets são ótimos), o massacre de riffs e solos animais na diversificada “Anhu Shu”, a beleza étnica da
instrumental “Iunet Mehet (Pillar of
North)”, e os tempos quebrados e linhas melódicas de “The Scribe” (que são maravilhosas). Mas não se pode deixar de
falar na roupagem Death Metal soturna e mais atual que eles deram à “Chernoby” (canção do finado grupo de
Thrash/Heavy Metal HAMMERON,
conterrâneo deles) é maravilhoso, narrando o terror do punho nuclear
desencadeado pela usina de Chernobyl, em Pripyat (Ucrânia).
No mais, “Old Gods”
marca um momento decisivo na carreira do PRIMORDIUM,
pois desse disco em diante, o rupo já não cabe mais no Brasil. Hora de pensarem
em voos mais altos.
Desde que o Thrash Metal retornou dos porões do underground no
final dos anos 90, nota-se que o estilo foi se atualizando e ganhando contornos
mais modernos, embora muitos ainda prefiram algo mais retrô em termos sonoros. Seja
como for, ver o estilo vivo e produzindo novos nomes é algo sensacional. E
finalmente, após anos de muito suor e luta, o TORRENCIAL, quarteto de Itapevi (SP) chega com seu primeiro álbum, “Nação Em Fogo”.
Preservando aspectos da velha escola americana, mas com uma
forte conotação moderna em termos de agressividade sonora, mais algumas
influências de HC/Crossover (reparem nos vocais e perceberão a influência de
grupos da escola de Nova York do estilo), e uma musicalidade muito bem
escopada, o TORRENCIAL vem mostrar
que tem música e raça para chegar longe. Vocais urrados, backing vocals
raçudos, guitarras faiscando em riffs ótimos e solos caprichados, baixo e
bateria com um trabalho de muito peso e boa técnica, é bom prepararem-se para
torcicolos e ouvidos doloridos!
Em termos de produção, o quarteto se junto ao conhecido
produtor e guitarrista Rafael Augusto
Lopes para montarem a sonoridade de “Nação
Em Fogo”. Percebe-se que a maior preocupação foi em deixar o som claro e
inteligível para o ouvinte, pois os timbres são bem definidos, e a sonoridade
ficou mais seca. Mas ao mesmo tempo, esses timbres claros são muito agressivos,
dando peso às músicas sem maltratarem as linhas melódicas das bandas. Poderia
ser melhor em alguns aspectos, mas o resultado final está muito bom.
Na arte gráfica, Jean
Michel (da DSNS Artwork) fez uma
apresentação visual intensa, focada em tons escuros de azul e vermelho, ficando
assim algo agressivo e chocante aos olhos, mostrando toda a carga ideológica
das letras do grupo.
O trabalho do grupo, feito na marra, na cara e na coragem,
merece elogios. Mesmo não sendo inovador, tem personalidade forte e é capaz de
detonar moshpits insanos. Percebe-se que o TORRENCIAL
tem uma preocupação estética com os arranjos, mas sem que as músicas soem
excessivamente técnicas ou sem espontaneidade.
E se preparem, pois “Nação
Em Fogo” transborda em garra e muita rebeldia em formato musical. E músicas
como a raivosa e bem trabalhada “Ilusão”
(onde nos momentos mais cadenciados se sente a força do HC nova-iorquino, além
de baixo e bateria estarem muito bem, e termos a participação de Alexandre de Orio nos violões durante a
introdução), a carregada no peso e ritmos mais cadenciados “Perdedora”, o arranca-rabos totalmente Crossover da curta “Trinta Segundos” (que guitarras e
backing vocals), a velocidade e técnica apresentadas em “Evolução/Destruição” (onde Rafael
Augusto Lopes dá uma canja nos solos), a raiva que transpira de “Nação em Fogo” e seus arranjos
dinâmico (reparem como a interpretação dos vocais é muito boa), a pegada Thrash/HC
de “Guerra Após Guerra” (que
arranjos de guitarras!), a diversificada em termos de ritmos “Busque e Confronte” (baixo e bateria
estão excelentes, mas com um solo de Alexandre
de Orio que dá aquele brilho especial à canção), e a tortura Thrasher
ouvida em “V. E. M. O.” formam a
espinha dorsal da qualidade do disco, embora todas as músicas sejam ótimas.
Demorou, foi sofrido e suado, mas finalmente, com “Nação Em Fogo”, o TORRENCIAL
mostra que tem talento e espaço no cenário do Metal brazuca.