quinta-feira, 23 de novembro de 2017

PRIMORDIUM - Old Gods (Álbum)


2017
Selo: Rising Records / Metal Under Store
Nacional

Nota: 9,3/10,0

Tracklist:

1. Pesejet (intro)
2. Num (Pralaya)
3. The Awakening (Manvantara)
4. God of Light
5. Nuit
6. Geb’s Throne
7. Anhu Shu
8. Iunet Mehet (Pillar of North)
9. Lady of Water
10. The Scribe
11. Chernoby (Hammeron Cover)


Banda:


Gerson Lima - Vocais
Thiago “Lux Tenebrae” Varella - Guitarras, violões, didgeridoo, backing vocals
Alex Duarte - Guitarras, backing vocals
João Felipe Santiago - Baixo, violões, samples, backing vocals
Lucas Somenzari - Bateria, violões, backing vocals

Convidados:

Garibaldi Soares - Vocal urrado em “Iunet Mehet (Pillar of Water)”
Flávio França - Guitarras em “Chernobyl”
Irlan Maciel - Violão em “God of Light”
Luciano Hunter - Vocais em “Nuit”
Thormiank - Guitarras em “Anhu Shu”
Farid Almohamed - Percussões em “Iunet Mehet (Pillar of Water)”
Necrovomit - Cítara em “Pesejet”, flauta Hulusi em “Iunet Mehet (Pillar of Water)”
Ariane Salgado - Violino em “The Awakening”, vocais femininos em “Nuit”


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria: www.braunamusicpress.com (Brauna Music Press)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Em termos culturais, o Metal do Brasil anda progredindo. Muitos estão fugindo do “mais do mesmo” em termos de letras e buscando algo diferente, numa forma de se destacarem do tsunami de certos estilos. Alguns realmente se superam, criando um trabalho cultural de primeira, mas ao mesmo tempo, com o lado musical ditando as regras e se mostrando. E de Natal (RN), terra tão fértil e cheia de boas bandas, o experiente PRIMORDIUM vem mostrar sua força mais uma vez com seu mais recente trabalho, “Old Gods”, seu segundo Full Length.

Óbvio que algum ou outro fã vai seguir os olhos e falar em NILE, pois a banda aborda a mitologia egípcia em suas letras (em geral, os mais radicais são assim). Mas quem se guia pelos ouvidos vai encontrar uma banda com um Death Metal diferenciado: agressivo e bruto, mas lapidado por boa técnica e algumas melodias soturnas que surgem aqui e ali. Ao mesmo tempo, o uso de percussões (que dão, ao mesmo tempo, um ar oriental e um jeitão regional), flautas, cítaras e violinos dão aquele requinte especial, aquele traço de personalidade própria que eles buscam. E dessa forma, “Old Gods” mostra o quanto o trabalho do quinteto é precioso e diferente.

Para resumir: o PRIMORDIUM veio para chocar os mais conservadores e conquistar novos fãs.

João Felipe Santiago (baixista do grupo) foi o produtor, além de mixar e masterizar “Old Gods”. A sonoridade busca ser clara suficiente para que o ouvinte consiga compreender a complexidade musical do quinteto, mas a crueza nos tons de guitarra e bateria poderia ser menor. Não chega a estragar o trabalho, mas o grupo merecia uma sonoridade mais esmerada nesse aspecto. Mas está boa, pois compreendemos claramente os instrumentos e vocais, percebemos os arranjos, e, além disso, tem peso e agressividade.

A arte da capa é de Sandro Freitas, e ficou muito boa, mostrando a concepção lírica do grupo. E o layout e encarte são de Alcides Burns, conhecido designer gráfico. Tudo para que a arte visual seja tão grandiosa como o lado musical.

E musicalmente, o PRIMORDIUM corresponde. Justamente pela capacidade de criarem e pela falta de pudores com as famosas “regrinhas do Metal”, eles te potencial para se tornarem um dos maiores nomes do Metal nacional. Arranjos bem feitos, uma dinâmica instrumental que não nos deixa entediados (pelo contrário, nos prende ao trabalho musical da banda), e sem falar nos convidado que deram um toque todo pessoal e abrilhantam “Old Gods”. Pessoas de bandas como SON OF A WITCH, EXPOSE YOUR HATE, TONANTZIN, NIGHTHUNTER, MIASTHENIA, OMFALOS, AGNIDEVA, BOCA DE SINO, e TERRORZONE.

Não é possível falar de uma canção em especial que seja, pois eles capricharam.

Por mera necessidade de conceder uma referência inicial aos ouvintes, destacam-se “Num (Pralaya)” (brutal e opressiva, mostrando riffs de primeira, mas logo as percussões regionais dão aquela ambientação oriental que nos seduz), a ganchuda e envolvente “The Awakening (Manvantara)” e mudanças de ritmo (cheia de belos violinos, percussões, vocais femininos aqui e ali, além de orquestrações bem feitas e do ótimo trabalho de baixo e bateria), o peso opressivo e azedo de “God of Light” e suas passagens sutis de teclados (e mais uma exibição técnica de gala por parte de baixo e bateria) e “Geb’s Throne” (esses guturais à lá Karl Willets são ótimos), o massacre de riffs e solos animais na diversificada “Anhu Shu”, a beleza étnica da instrumental “Iunet Mehet (Pillar of North)”, e os tempos quebrados e linhas melódicas de “The Scribe” (que são maravilhosas). Mas não se pode deixar de falar na roupagem Death Metal soturna e mais atual que eles deram à “Chernoby” (canção do finado grupo de Thrash/Heavy Metal HAMMERON, conterrâneo deles) é maravilhoso, narrando o terror do punho nuclear desencadeado pela usina de Chernobyl, em Pripyat (Ucrânia).

No mais, “Old Gods” marca um momento decisivo na carreira do PRIMORDIUM, pois desse disco em diante, o rupo já não cabe mais no Brasil. Hora de pensarem em voos mais altos.