quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

MORCROF - Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae


Ano: 1999 (relançamento 2018)
Tipo: Demo CD
Nacional


Tracklist:

1. Inustus (intro)        
2. Errante       
3. The Judgment of Demigod (pt.I)
4. From Origin to Dued Cold           
5. Empírico
6. The Judgment of Demigod (pt.III)
7. The Semen of Dead God


Banda:


Ludwick Schölzel - Vocais
R’Bressan - Guitarras
Pétros Nilo - Guitarras
Naitsirch Chironomous Bontus - Teclados
Paullus Moura - Baixo, bateria, violão, backing vocal


Ficha Técnica:

Erinnys Records - Produção
Cássico Martin - Mixagem, masterização
Alberto Salomone - Capa (O Bem e o Mal)
Cris Viana - Vocais femininos
Ludwick Schölzel - Arte, design


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria: www.facebook.com/cangacorockcomunicacoes/ (Cangaço Rock Comunicações)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Nos últimos tempos, temos visto muitas bandas veteranas recuperando seus materiais antigos em relançamentos bem pensados: de um lado, eles ajudam a trazer o nome da banda à evidência sem um novo lançamento, mas ao mesmo tempo, disponibiliza material raro aos fãs mais recentes. E nisso, o MORCROF, ancião do Black Metal brasileiro, tem sido reapresentado aos fãs mais antigos e introduzido aos mais jovens. Dessa vez, seguindo o ritmo que a parceria com a Erinnys Records dita, é chegada a vez do relançamento de “Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae”.

1999 é um ano em que o Brasil está ainda sob os efeitos de uma crise econômica desencadeada por problemas no oriente, e que marca o início do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso como presidente do Brasil (o primeiro a ser reeleito), o blecaute de 11 de março que causou um apagão em dez estados, além de marcar o lançamento do Euro como moeda em vários países da Europa.

Em termos de Metal, 1999 é um ano em que o Black Metal no Brasil estava fervendo. Além de evidenciado pelo sucesso de nomes estrangeiros como CRADLE OF FILTH, DIMMU BORGIR, ROTTING CHRIST e outros, OCULTAN, MYSTERIIS e outros soltavam discos que são seminais para o crescimento do estilo no underground brasileiro. Este ano marca o período de expansão do Black Metal brasileiro, que irá durar até 2003 ou 2004, quando começará a regredir um pouco e ocupar seu espaço no cenário.

Para o MORCROF, a Demo Tape “Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae” marca sua total adesão ao Black Metal, totalmente despido de influências de Death Metal que marcaram o início de sua carreira. O estilo está bem helenizado, ou seja, na linha ao que bandas como ROTTING CHRIST antigo, VARATHRON, NECROMANTIA e outros nomes da cena grega faziam: algo focado em uma ambientação sonora mais soturna e atmosférica, permeado de teclados sinistros, riffs cortantes, baixo e bateria em uma base rítmica sólida e trabalhada (com o baixo mostrando algumas partes mais técnicas), além de vocais urrados em tons tenebrosos. Além disso, o formato de canções mais longas delineado já em “Scientia ab Mortuus” (Demo Tape anterior) está ainda mais conciso e é a trilha que o grupo segue até os dias de hoje.

Embora ainda careça de maior refinamento sonoro, a produção é bem melhor que a maioria das bandas tinha daqueles tempos (mais uma vez: estúdios custavam muito caro, e a mão de obra de um técnico de som nunca foi algo muito acessível). Mas é nessa crueza que o trabalho do MORCROF se sobressai e ganha vida. Que poderia ser melhor, óbvio que poderia, mas isso em uma visão de hoje, não daqueles tempos românticos e árduos. E a capa nos traz a arte de “O Bem e o Mal”, de Alberto Salomone.

Em “Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae”, o sexteto se mostra mais conciso, com sua música soturna adornada de momentos acústicos bem atmosféricos (como se pode ouvir na instrumental “Empírico”). Ou seja, o MORCROF começa a mostrar ainda mais diversidade e técnica, mesmo em uma época que isso era considerado um grave pecado em termos de Black Metal. Mas é aquela velha estória: há quem siga modelos, há quem os destrua para mostrar a personalidade, e o MORCROF faz parte do segundo grupo.

“Inustus” é uma introdução tétrica de teclados com alguns vocais ocasionais, seguida de “Errante”, uma instrumental de teclados lúgubres que serve como ponto de partida para a curta e crua “The Judgment of Demigod (pt.I)”, lenta e azeda até os ossos, com algumas partes bem trabalhadas. Sinistra e cheia de mudanças de ritmo é a longa “From Origin to Dued Cold”, adornada de arranjos elegantes e agressivos de guitarras e baixo, com linhas melódicas muito boas. “Empírico” é uma instrumental de violão e teclados que mostra a versatilidade da banda, um momento mais ameno e melancólico que precede “The Judgment of Demigod (pt.III)”, outra canção curta, embora um pouco mais rápida e dinâmica, mostrando a força dos vocais e da bateria. E “The Semen of Dead God” vem como um compêndio de tudo que a banda mostrou na Demo Tape, com partes acústicas, outras mais rápidas e agressivas, outras mais lentas, melodias orientais que surgem dos teclados, vocais urrando de forma interpretativa, além das guitarras estarem ótimas nos riffs e a base rítmica mostrar sua técnica e manter a diversidade musical do grupo.

Se você gosta de Metal extremo, precisa adquirir “Peragere Humum Et Semem Terrai Abditae” e conhecer o MORCROF. Se você tem a versão original em K7, está mais que na hora de atualizar para uma versão mais moderna e duradoura.

Nota: 90%