sábado, 2 de dezembro de 2017

RATTLE (Thrash/Death Metal - Salvador/BA)


Início de atividades: Dezembro de 2009

Discos lançados: “Pain is Inevitable” (Split, 2011); “Hellstouch” (Coletânea, Shinigami Rec, 2012); “Tales of the Dark Cult” (Shinigami Rec, 2015)

Formação atual: Val Oliveira (vocals), Henrique Coqueiro (guitar), Daniel Iannini (bass), Eric Dias (drums)

Cidade/Estado: Salvador, Bahia


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Val Oliveira: A banda começou através de contatos via Orkut, acredite. Eu, Val Oliveira, tinha encerrado minha antiga banda um ano antes, e uma amiga minha disse que tinha uns garotos querendo montar uma banda com pegada Thrash e procuravam um vocalista. Fui encontrar eles, e nessa contatei um guitarrista, que era o Henrique. Tivemos uma reunião, marcamos um ensaio e começamos a compor. A meta, que estipulei, era só tocar quando tivéssemos sons suficientes para um show razoável, e pensamos desde o inicio em gravar algo oficial. E fomos compondo, até que surgiu a hora de entrar em estúdio e registrar o material que tínhamos, e que foi a base do EP “Hell of the Living Dead”, parte integrante do Split “Pain is Inevitable”. A meta da gente sempre foi compor algo visando futura gravação e shows, e não se prender muito a estilos e rótulos, mas com uma base no Thrash e no Death Metal.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Val: Shows escassos, poucas casas de shows, segmentação e segregação de estilos e produtores duas caras, picaretas, fora as já clássicas e famosas panelas, que aqui é algo muito forte, e desvalorização das bandas.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Val: Está tendo eventos, mas muita coisa que rola é cover, ou shows com as mesmas bandas, nos mesmos locais, as velhas coligações. Como nos recusamos a fazer parte de panelas, ai não temos tocado muito. Na verdade, temos tocado cada vez menos. Ultimo show que fizemos foi novembro de 2016. Resolvemos então focar em compor para um futuro segundo Full Lenght. Parte da banda, para não ficar estagnado, montou alguns projetos paralelos. Em termos de estrutura, as poucas casas que tem aqui, tem uma estrutura razoável a boa. As casas melhores não costumam abrir espaço para Metal, ou para bandas menores.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Val: O Metal nunca vai acabar. Vai se renovar, mas com uma nova leva de pessoas que não consome musica, que baixa, não liga pra encarte, para quem compôs, não apóia, não vai a shows, na compra matéria, ai fica tudo mais difícil. Creio que vá ser difícil alguma banda chegar no patamar que o Metallica, Maiden, Sabbath entre outros medalhões estão. Não há mais o tanto de vendas como antigamente. Mas o Metal é um estilo forte, e tem uma base de fãs, admiradores fiéis. Vai continuar, vai se renovar, e sobreviver. Só que como eu disse, bandas pequenas terão que ralar muito para sobreviver, ter um lugar ao sol. Vendas não garantem mais nada, e sim shows, divulgação nos diversos meios. Tem que mostrar a cara e cativar audiência.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Val: Mais espaço para as bandas, sejam elas pequenas e novas, médias e grandes. Mais união, coisa que é complicada por diversos motivos. Mais espaços para shows, e eventos. Mas, nada disso adianta sem o público, que vá a shows, que consuma material e apoie bandas e o cenário. O que é complicado, devido a segmentações, as divergências, ao radicalismo, e às ideias retrógradas que envenenam e se espalham. Se não gosta de algo, deixa lá, cada um tem o direito de curtir o que quiser. O importante é respeito, e seguir curtindo o som, e fortalecer o cenário.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Val: Obrigado pelo espaço cedido, Marcos. O Metal Samsara é um importante veículo de divulgação e comunicação. E esperamos que os leitores e seguidores curtam nosso som, e apoiem as bandas novas do cenário nacional, e procurem conhecer o que existe no underground brasileiro. Stay Metal!


Links para contatos:


  


MORCROF - A Future Not So Far / Scientia Ab Mortuus (Demos Relançadas)


2017
Nacional

Nota: 8,5/10,0

A Future Not So Far


Tracklist:

1. A Future Not So Far                     
2. Concentration Camp (Yourself)               
3. Image of Torture               
4. Rotten Food                      
5. Chermical War                  
6. Skin           
7. Hemorrhage to the War                
8. It’s Explanation Is Your God                  
9. Name to the Kings            
10. Lastimation (instrumental)
11. Ambicionato
12. The Morcrof (Souls to Capture)


Banda:

Ludwick Schölzel - Vocais
Caecus Magice - Guitarras
R. Bressan - Guitarras
Paullus Moura - Baixo, vocais
Feralis - Bateria


Scientia Ab Mortuus


Tracklist:

1. Incidental Intro (acts I / II)          
2. Portal to the Knowledge / Buried Alive Existence
3. Incidental Intro (acts III / IV)
4. Nihilism (Prophect Conjecture)
5. Outro
6. The Forest N’Gai  


Banda:

Ludwick Schölzel - Vocais
Pétros Nilo - Guitarras
R. Bressan - Guitarras, teclados
Paullus Moura - Baixo, vocais
B. Gênes Hajj-Ahriman - Bateria


Contatos:

Twitter:
Youtube:
Instagram:
Assessoria: http://www.facebook.com/cangacorockcomunicacoes/ (Cangaço Rock Comunicações)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


No mundo: No final dos anos 80 e início dos anos 90, o Metal sofreu uma grande reviravolta no mundo inteiro. Com a saída do Hard Rock/Glam Metal da evidência nas rádios, revistas e MTV e chegada do Grunge e Alternativo, o estilo ficou ilhado na Europa, como havia ocorrido no início da Idade Média com a queda do Império Romano e as invasões bárbaras. O Thrash Metal americano também dava sinais de cansaço, e seu espaço começava a ser tomado pela segunda leva de bandas de Death Metal vindas da Flórida e da Suécia. E no submundo do underground, o Black Metal começava a ressuscitar na Noruega, Grécia Finlândia e Suécia. Já em 1996, o Black Metal havia tomado o espaço do Death Metal como estilo mais proeminente do Metal extremo, e o Grunge começava a desaparecer e o Metal a se fortalecer mundialmente mais uma vez.

No Brasil: em 1993, uma crise financeira absurda assolava o país, legado do regime militar e que recebeu continuidade dos primeiros governos da democracia brasileira. E essa mesma crise comprometia muito do cenário Metal, com bandas incapazes de se sustentarem e acabando, com parco acesso a instrumentos e equipamentos musicais importados (os nacionais eram terríveis). Os mais jovens lutavam para se manterem vivos nos porões do underground. E assim como na Europa, o Black Metal começou a ganhar nova vida enquanto o Death Metal estava mais proeminente. Em 1996, com a economia mais estabilizada e o poder aquisitivo melhor, as bandas já conseguiam respirar, e enquanto muitas pararam, outras chegaram ao sucesso, o underground fervia.

E na escuridão, o MORCROF, veterano do Black Metal de São Paulo, começava sua saga. E em pleno auge da crise econômica do país, em janeiro de 1994, a banda lançou seu primeiro registro sonoro, a Demo Tape “A Future Not So Far”, e em 1996, surgiu com a segunda Demo Tape, “Scientia Ab Mortuus”. E ambas estão sendo relançadas agora pela Erinnys Productions.

Nas épocas de cada uma, o formato K7 ainda era o usual (somente mais próximo ao final dos anos 90 é que os Demos CDs se tornariam mais usuais e populares).

Formação que gravou “A Future Not So Far”
em 1993 e em 2017. 
Em “A Future Not So Far”, O MORCROF mostrava-se bem influenciado pelas bandas de Death Metal mais sinistras da época, mas em geral, com a mesma aura sombria que permeia seus trabalhos até os dias de hoje. Já se percebe muito da carga obscura dos tempos mais cadenciados que o Black Metal grego primordial mostrava. Isso nos permite observar uma consensualidade no trabalho do grupo desde a época até os dias de hoje. Óbvio que na época eles possuíam mais de BENEDICTION, NAPALM DEATH e outras da escola inglesa do gênero do que de VARATHRON e ROTTING CHRIST, mas já mostrava-se uma banda focada em criar algo mais soturno e climático do que veloz e explosivo.

Dois anos depois, lançando “Scientia Ab Mortuus” já mostra o MORCROF bem mais voltado ao Black Metal atmosférico sinistro que os caracteriza nos dias de hoje. Os teclados dão uma ambientação fúnebre, com riffs mórbidos e a base rítmica já mais diversificada em andamentos mais cadenciados, e os vocais continuam focados nos timbres guturais de antes, mas já permitindo alguns urros rasgados e vozes normais vez por outra. As melodias soturnas da banda finalmente surgem aqui, e assim, fica evidenciada a diferença estilística leva muitos a considerar este trabalho o início real do grupo.

Em termos de qualidade sonora, “A Future Not So Far” é podre e crua, com uma sonoridade suja bem característica de seu tempo (lembrando: crise econômica = pouco poder aquisitivo = menor possibilidades em estúdio). E “Scientia Ab Mortuus” ostenta uma qualidade melhor (momentos mais limpos são bem claros os ouvidos, assim como os teclados), embora ainda seja crua devido ao estilo sonoro em si e aos timbres usados.

Em termos de artes, “A Future Not So Far” recebeu uma nova arte, que transparece as características gráficas originais, apenas para uma apresentação melhor, e é um desenho chamado “The Demons of Yanaidar”, que consta na página 52 do número 18 da revista “A Espada Selvagem de Conan”, lançada em 1986 pela Editora Abril, São Paulo, feita por John Buscema (o artista mais conhecido em seus desenhos do personagem) e Tony De Zuninga. E o formato é o conhecido cardboard sleeve, a capa que lembra um vinil.

Já “Scientia Ab Mortuus” manteve a capa original, só adaptada para CD, mas com encarte e também no formato cardboard sleeve.

O relançamento de ambos os trabalhos, como mencionado acima, nos permite observar que existem características comuns em ambas as fases, e algumas que permanecerão na personalidade da banda após tantos anos. Além do mais, tanto “A Future Not So Far” como “Scientia Ab Mortuus” possuem enorme importância histórica para aqueles que buscam conhecer o que é feito em Metal aqui nesses anos de muitas lutas.

Em “Future Not So Far”, a banda mostra um trabalho ainda no estágio inicial, bem Death Metal. Mas se repararem direito, aquela aura opressiva que todos conhecem dos trabalhos futuros da banda se mostra em muitos momentos, especialmente em “Concentration Camp (Yourself)”, “Rotten Food” (reparem em alguns momentos mais técnicos de baixo e bateria), “It’s Explanation Is Your God”, e na instrumental “Lastimation”. Mas nessa edição, ainda existem duas faixas extras, “Ambicionato” e “The Morcrof (Souls to Capture)”, que soam ainda mais podres que as anteriores. Mas tenham em mente que este material tem mais de 20 anos de lançamento. E aqui, temos a participação de Caecus Magice nas guitarras e Feralis na bateria.

Em “Scientia Ab Mortuus”, já nota-se a presença de novos membros: Pétros Nilo nas guitarras, e B. Gênes Hajj-Ahriman na bateria, além de R. Bressan assumir os teclados (além das guitarras, como antes).

Agora, em termos de sonoridade, o MORCROF já se mostra mais maduro e coeso, e toda a carga do Black Metal helênico que os influenciou está presente. Mas isso não quer dizer que a banda não tenha personalidade, longe disso: quem os conhece, os respeita por saberem o quanto sua música é pessoal. E outro traço que surge neste trabalho e permanece até os dias de hoje são as canções longas. “Portal to the Knowledge/Buried Alive Existence” é recheada de boas melodias e ótimos vocais, além da base rítmica estar de primeira, assim como a procissão fúnebre denominada “Nihilism (Prophect Conjecture)”, também cadenciada e cheia de belos teclados e guitarras em riffs criativos. E ainda temos um bônus, a versão ao vivo da banda para “The Forest N’Gai”, do ROTTING CHRIST, gravada no “Evil Prayer To The Knowledge Fest” de 1995, onde a crueza impera (mas o que esperar de uma gravação ao vivo da época?).

No mais, tanto “A Future Not So Far” quanto “Scientia Ab Mortuus” são obrigatórios aos fãs de Metal extremo, e também para aqueles que gostam de acompanhar a história do Metal brasileiro.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

VIOLATOR - The Hidden Face of Death (EP)


2017
Nacional

Nota: 8,3/10,0

Tracklist:

1. Infernal Rise
2. False Messiah


Banda:



Poney - Baixo, vocais
Capaça - Guitarras
Cambito - Guitarras
Batera - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Ficar muitos anos sem gravar algo novo pode ser muito ruim para bandas do underground. Mesmo no formato de hoje, onde não se consegue ganhar mais algum dinheiro com venda de discos, mas com turnês e venda de merchandising, permanecer longe do estúdio pode dar a ideia de que uma banda ou está em um hiato ou acabou. E apesar das polêmicas recentes, que alguns davam como sinal de desespero de quem chegou ao amargo fim, o quarteto VIOLATOR, de Brasília, está de volta com um novo lançamento, o EP “The Hidden Face of Death”.

A verdade é: a ausência de alguns anos sem lançar material inédito parece ter feito bem ao grupo, já que a fórmula do Retro-Thrash deles aparentava dar sinais de cansaço em “Scenarios of Brutality” (de 2013). O grupo ainda está na mesma linha de antes, embora com um “approach” mais duro e agressivo, aparentemente revisando influências do SLAYER. E soando mais sujo, ganhou mais peso, e se percebe que, mesmo ainda velozes, já surgem momentos mais cadenciados, mostrando que o grupo compreendeu que tocar rápido não é soar agressivo, e assim ganhou diversidade e mais técnica.

Traduzindo: é o bom e velho VIOLATOR que os fãs tanto gostam, apenas com um jeitão revigorado e agressivo.

Produzido por eles mesmos, e gravado no C.L. Áudio Estúdio, em Brasília, com a mixagem e masterização feitas por Jarret Pritchard nos EUA, os rapazes buscaram algo mais sujo e bruto para sua sonoridade. Até soa bem artesanal, mais orgânico, mas sem deixar de ter aquela preocupação com a clareza necessária para que as canções sejam compreendidas. E acertaram a mão, digamos de passagem, embora não esteja perfeito.

A arte de Eric Cruz para a capa é antenada com os velhos temas de filmes de horror dos anos 80, e ficou muito boa.

Mais uma vez: não esperem que o VIOLATOR tenha mudado sua forma de fazer sua música. Isso não, embora estejam mostrando uma boa evolução e maior preocupação com a estética final de suas músicas. Os arranjos e busca por passagens mais lentas mostra que a experiência os fez amadurecer. E nisso, eles mostram porque foram um dos pilares do Thrash Metal brasileiro no momento em que o gênero se reerguia após anos de pouca exposição no underground.

Em mãos, temos as canções da versão em vinil do 7”, onde constam duas canções: no lado “Evil” está “Infernal Rise”, com uma introdução tenebrosa à lá “Hell Awaits”, e é recheada de bons riffs e vocais, mudanças de ritmo providenciais e um peso enorme; no lado “Dead”, por sua vez, temos “False Messiah” (não me perguntem se tem relação com a polêmica com o dePUTAdo conservador, pois não é o foco da resenha), bem trabalhada, bons arranjos e uma surra de peso vinda da base rítmica. E a versão do vinil é limitada a 300 cópias numeradas a mão pela banda, e ainda tem pôster e sticker de presente.

A versão em CD, por sua vez, tem alguns extras interessantes: versões para “Nausea” do HERESY (uma velha banda de HC/Punk inglesa dos anos 80) e “Igreja Universal” (do RATOS DE PORÃO), além de “United for Thrash” e “Deadly Sadistic Experiments”, gravadas ao vivo no Kill Again Metal Fest 2011. Nesta versão também existe pôster e sticker, mas apenas para as primeiras 200 cópias (a tiragem é de 1000 cópias).

“The Hidden Face of Death” vem em boa hora, mostrando que o VIOLATOR não parou e que continua ativo. Mas para a banda que tem o nome que eles têm, duas músicas inéditas deixam um gosto de “quero mais” para os fãs do estilo, logo, hora de pensarem em mais um álbum. 



HOT FOXXY - Burning Bridges (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Redhead Rocker
2. Clear Moon
3. Burning Bridges
4. Wrong Love
5. Getting Over You
6. I Don’t Mind if It Won’t Last Forever (I Want You Tonight)
7. Tattooed Girl In Black
8. Born to Be a Rockstar
9. Getting Over You (acoustic version feat Gabi Nickel)
10. Redhead Rocker (piano version)


Banda:


Marco Lacerda - Vocal
Humberti Sprenger - Guitarra Solo
Eder Erig - Guitarra Base
Betão Sassarrão - Baixo
Daniel Schultz - Bateria


Contatos:

Site Oficial: www.hotfoxxy.com
Twitter:
Bandcamp:
Assessoria: www.beelyper.com (Agência Beelyper)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Se existe um fator que sempre auxilia bandas é a evolução, o amadurecimento. Não há músico, banda, projeto em que a ação dessa força motriz não se faça presente. Os anos de experiência, a estrada e os ensaios, tudo isso importa. E o HOT FOXXY, quinteto de Curitiba, mostra isso em “Burning Bridges”, seu mais recente trabalho.

Muita influência do bom e velho AOR/Glam Metal dos anos 80, percebe-se que o grupo tem um trabalho livre de qualquer pretensão que não seja fazer música de alta qualidade, acessível, melodiosa e (obviamente) divertida. Óbvio que se percebe que o grupo soube dar uma arranjada muito boa em suas composições, que soam maduras, bem feitas e cheias de energia, com refrãos muito grudentos e todos os elementos que o estilo tem. Mas ao mesmo tempo, se percebe que o grupo ostenta uma personalidade, buscando serem eles mesmos, e não uma cópia de outros nomes. Nisso, o quinteto acertou em cheio.

A produção é assinada por Alysson Irala, guitarrista e compositor curitibano de bandas como SAD THEORY, MOTORBASTARDS, SHADOW MAZE, entre outras. E dessa forma, a sonoridade de “Burning Bridges” é muito boa, evidenciando a veia melódica do quinteto, sendo limpa e deixando os timbres da banda soando muito bem aos ouvidos. Mas óbvio que há peso, mas aquele necessário apenas. Obviamente que poderia ser melhor (a banda merece, digamos de passagem), mas está muito bom. E, além disso, a capa ficou muito legal, dando a ideia de que o grupo não tem medo de ousar.

Ótimos arranjos, músicas maduras, e a ousadia de quem quer sair do ponto comum, mas sem desvirtuar-se do estilo que escolheu, o HOT FOXXY é uma banda excelente para comerciais de cigarros, como os dos anos 80 onde grandes hinos do Hard/AOR passavam na TV toda hora. E se preparem para ficarem grudados no lugar, pois “Burning Bridges” é assim: um disco que nos faz prender a respiração. E ainda temos a participação especial de Gabi Nickel nos vocais na versão acústica “Getting Over You”, e de Humberto Sprenger nos pianos na belíssima versão instrumental de “Redhead Rocker” (que fecha o disco).

Basta ouvir as melodias sedutoras da excelente “Redhead Rocker” (que trabalho excelente de guitarras e vocais, e que refrão grudento dos infernos, pois é ouvir e sair cantando), o trabalho bem arranjando em termos de harmonias de “Clear Moon” (outra bem acessível, mostrando a força da base rítmica do quinteto), o Hard ‘n’ Heavy forte de “Burning Bridges” (onde se percebem influências de Metal tradicional à lá NWOBHM nos arranjos), a balada introspectiva de refrão pesado “Wrong Love”, a linda e envolvente “Getting Over You” (que belo trabalho de vocais mais uma vez), o Hardão mais pesado de “I Don’t Mind If It Won’t Last Forever (I Want You Tonight)” (com as típicas melodias de canção de comerciais da Hollywood dos anos 80 mais uma vez), a energia mais crua e de refrão chicletoso em “Tattooed Girl In Black”, e o arrasa-quarteirão farofento à lá anos 80 de “Born to Be a Rockstar” e vai ficar grudado neles. Mas nem de longe se pode deixar a versão acústica de “Getting Over You” (que lindas passagens de vozes, com o canto masculino e o feminino se alternando e dando aquela atmosfera terna), e a versão instrumental toda em piano de “Redhead Rocker”. É, o disco todo é bom demais, e vale a aquisição!

Vieram para ficar e conquistar, e o HOT FOXXY tem tudo para ir muito longe. E “Burning Bridges” é o passaporte certo para isso.

PATO JUNKIE - The Rag Doll (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 9,2/10,0

Tracklist:

1. The Rag Doll
2. I Don’t Believe in Your Lies
3. Bad Memories
4. Chaos of Day
5. In the Name of Desire
6. Atos Terroristas
7. Pião pra Pião


Banda:


Alexandre Gomes - Vocais
Alan Franklin - Guitarras
Johnny Pains - Guitarras
Lucas Oliveira - Baixo
Wellington Nunes - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/patojunkie/ (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


As tendências modernas do Metal são recebidas de formas polêmicas no Brasil. Muito disso nasce do sentimento que as mudanças são ruins, algo que no fundo, possui profundas raízes no pensamento conservador no qual estamos imersos desde a época do Brasil Colônia, dos tempos da casa grande e senzala. Não digo para gostar ou não, apenas para respeitar as diferenças que a evolução nos dá todos os dias. Mesmo porque nada permanece, tudo muda. E tendo em mente que a mudança não é algo ruim, podemos apreciar de verdade do trabalho do quinteto PATO JUNKIE, da cidade de Patos de Minas (MG), que chega com seu segundo álbum, a pedrada “The Rag Doll”.

A melhor forma de encarar o grupo é apenas como uma banda de Metal/Rock moderno, já que não é lá simples lhes conferir uma classificação. Elementos de Metalcore, New Metal, Metal Alternativo e mesmo pitadas de Crossover são percebidas em suas músicas, por isso, o trabalho deles é bem diferente e pessoal. A energia flui em torrentes, junto com uma fusão de melodias bem feitas com uma timbragem agressiva e atual de seus instrumentos. Dessa maneira, o PATO JUNKIE mostra que tem raça, e faz de “The Rag Doll” um disco ótimo, grudento e alta qualidade.

A própria banda assumiu a tarefa de produzir o disco, tendo a mixagem e masterização sido feitas pelo guitarrista Alan Franklin. O resultado é uma sonoridade seca e pesada, com uma clareza enorme. Nada em “The Rag Doll” fica escondido, e mesmo a timbragem dos instrumentos ficou de primeira, com todos muito bem definidos, mas sem ter aquele exagero de graves tão costumeiros de tendências modernas. Está abrasivo, mas não exagerado.

A arte da capa, criada pelo artista Diogo Alcântara em parceria com a Mortuus T-Shirt, ficou muito boa, bem trabalhada e mostrando o conceito do título.

Bem diferente de tudo que já ouvimos por aí, o PATO JUNKIE é uma banda viciada em fazer música de alto nível, e reunindo influências diversificadas. Além disso, a capacidade de arranjar suas canções e mudar de ritmos é incrível. Percebe-se que o grupo é maduro, e tem muito para dar ao cenário.

E ouvindo canções como a trampada e agressiva “The Rag Doll” (muito groove e ótima técnica de baixo e bateria guiando os ritmos), a pegada semi-Thrash moderno de “I Don’t Believe in Your Lies” com suas guitarras faiscando riffs intensos e o baixo debulhando, o jeito introspectivo e moderno de “Chaos of Day” (onde os vocais mostram sua versatilidade, com timbres bem melodiosos), o approach ganchudo e cheio de elementos de New Metal de “In the Name of Desire”, e na mistura de levadas Thrash com elementos regionais em “Atos Terroristas”. E para fazer uma ligação entre passado e presente, temos a regravação da curta e grossa “Pião pra Pião”, vinda do primeiro álbum da banda, “Doido e Violento” (de 2015), um autêntico chute HC/Crossover, com muita energia.

O PATO JUNKIE é uma ótima banda, tem personalidade e mostra que é possível fugir do ponto comum e ser criativo. Aliás, “The Rag Doll” é um puta discão!