sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

PATO JUNKIE - The Rag Doll (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 9,2/10,0

Tracklist:

1. The Rag Doll
2. I Don’t Believe in Your Lies
3. Bad Memories
4. Chaos of Day
5. In the Name of Desire
6. Atos Terroristas
7. Pião pra Pião


Banda:


Alexandre Gomes - Vocais
Alan Franklin - Guitarras
Johnny Pains - Guitarras
Lucas Oliveira - Baixo
Wellington Nunes - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/patojunkie/ (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


As tendências modernas do Metal são recebidas de formas polêmicas no Brasil. Muito disso nasce do sentimento que as mudanças são ruins, algo que no fundo, possui profundas raízes no pensamento conservador no qual estamos imersos desde a época do Brasil Colônia, dos tempos da casa grande e senzala. Não digo para gostar ou não, apenas para respeitar as diferenças que a evolução nos dá todos os dias. Mesmo porque nada permanece, tudo muda. E tendo em mente que a mudança não é algo ruim, podemos apreciar de verdade do trabalho do quinteto PATO JUNKIE, da cidade de Patos de Minas (MG), que chega com seu segundo álbum, a pedrada “The Rag Doll”.

A melhor forma de encarar o grupo é apenas como uma banda de Metal/Rock moderno, já que não é lá simples lhes conferir uma classificação. Elementos de Metalcore, New Metal, Metal Alternativo e mesmo pitadas de Crossover são percebidas em suas músicas, por isso, o trabalho deles é bem diferente e pessoal. A energia flui em torrentes, junto com uma fusão de melodias bem feitas com uma timbragem agressiva e atual de seus instrumentos. Dessa maneira, o PATO JUNKIE mostra que tem raça, e faz de “The Rag Doll” um disco ótimo, grudento e alta qualidade.

A própria banda assumiu a tarefa de produzir o disco, tendo a mixagem e masterização sido feitas pelo guitarrista Alan Franklin. O resultado é uma sonoridade seca e pesada, com uma clareza enorme. Nada em “The Rag Doll” fica escondido, e mesmo a timbragem dos instrumentos ficou de primeira, com todos muito bem definidos, mas sem ter aquele exagero de graves tão costumeiros de tendências modernas. Está abrasivo, mas não exagerado.

A arte da capa, criada pelo artista Diogo Alcântara em parceria com a Mortuus T-Shirt, ficou muito boa, bem trabalhada e mostrando o conceito do título.

Bem diferente de tudo que já ouvimos por aí, o PATO JUNKIE é uma banda viciada em fazer música de alto nível, e reunindo influências diversificadas. Além disso, a capacidade de arranjar suas canções e mudar de ritmos é incrível. Percebe-se que o grupo é maduro, e tem muito para dar ao cenário.

E ouvindo canções como a trampada e agressiva “The Rag Doll” (muito groove e ótima técnica de baixo e bateria guiando os ritmos), a pegada semi-Thrash moderno de “I Don’t Believe in Your Lies” com suas guitarras faiscando riffs intensos e o baixo debulhando, o jeito introspectivo e moderno de “Chaos of Day” (onde os vocais mostram sua versatilidade, com timbres bem melodiosos), o approach ganchudo e cheio de elementos de New Metal de “In the Name of Desire”, e na mistura de levadas Thrash com elementos regionais em “Atos Terroristas”. E para fazer uma ligação entre passado e presente, temos a regravação da curta e grossa “Pião pra Pião”, vinda do primeiro álbum da banda, “Doido e Violento” (de 2015), um autêntico chute HC/Crossover, com muita energia.

O PATO JUNKIE é uma ótima banda, tem personalidade e mostra que é possível fugir do ponto comum e ser criativo. Aliás, “The Rag Doll” é um puta discão!