segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Os acordes do inferno vindos do Nordeste – Entrevista com o ELIZABETHAN WALPURGA


Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Sempre quando se fala no Metal da região Nordeste do Brasil, a primeira ideia que nos vem à mente é justamente a fertilidade de lá em termos de bandas. Muitos nomes que vêm de lá mostram trabalhos excelentes, e da cidade de “Hellcife”, em Pernambuco, estado que já deu ao mundo bandas como HATE EMBRACE, STONEX, CANGAÇO, MALKUTH, entre tantos outros, vem o quinteto ELIZABETHAN WALPURGA.

Fundindo Metal tradicional, Black Metal com uma pitada de Classic Rock, o grupo fez de “Walpurgisnacht” uma aula de inovação dentro do Metal nacional.

E lá fomos nós aproveitar o bom momento para falar com a banda, na figura de seu baixista Renato Matos, e saber do passado, das novidades atuais e planos futuros do quinteto.
  


BD: Saudações! Antes de tudo, agradeço pela oportunidade, e queria começar a entrevista pedindo que nos conte um pouco da história da banda. E principalmente, de onde veio a ideia de usarem o nome ELIZABETHAN WALPURGA?

Renato Matos: Saudações para todos que acompanham o Metal Samsara e obrigado a você, Marcão “Big Daddy” Garcia, pela oportunidade e espaço para nossa banda.

A banda foi formada por mim, Breno e Erick Lira em 1994 com a proposta inicial de fazer um death metal melódico. Somos amigos de infância e nos conhecemos em 1982.

Em 1994 eu já era baixista da banda Infected, que na época estava fazendo um Death Metal brutal na linha do Morbid Angel. Quando fiz as bases, do que depois veio a ser a música “Vampyre”, tive certeza de que tinha de ser compositor e ao mesmo tempo de que o que eu queria compor não se encaixava no Infected e em nenhuma outra banda que eu já tinha ouvido naquela época, então mostrei aos irmãos Lira as bases que tinha feito. Eles gostaram muito do que eu mostrei, e assim começamos a banda. No início, eu ia passar a noite e fins de semana na casa deles, foi onde tudo começou, eles nessa época já tinham se mudado de nossa vizinhança e lá íamos nós na base de um litro de Rum para 1.250 ml de Coca-Cola e duas caçambas de gelo! Erick tomava apenas a primeira dose conosco, eu ia até a metade da garrafa com Breno, acabava a coca e a outra metade amanhecia seca, rsrsrsrs. Amanhecíamos com as músicas gravadas numa fita K7, mas nesse processo, mudamos as músicas várias e várias vezes nessa época, apesar de que as duas últimas que compomos foram feitas quase que diretamente sem tantas mudanças e complementações. Chamamos Murilo Nóbrega e Rogério Mendes para compor conosco a primeira formação. Eles eram membros da banda Decomposed God e na época, eu estava muito próximo a todos do Decomposed God, ia aos ensaios, era um verdadeiro grude, mas por inconsistências de horário, eles deixaram a banda ainda bem no começo depois de alguns ensaios, nem tínhamos letras feitas e o nome provisório da banda era Eccumenical Damnation.

Convidamos Belchior de Melo para tocar bateria, e ele trouxe Leonardo Mal’lak, que já tocava com ele na banda de Black Metal Darkness Emperor.

Leo trouxe a ideia de escrever sobre vampirismo mesclando com o que ele lia na época, livros de Anton LaVey e Aleister Crowley e uma Bíblia do Vampirismo, não lembro o autor dessa última referência. Depois, ele acompanhou o início da construção filosófica que Hellhammer criou e Mal’lak sempre nos falava sobre o Movimento Luciferiano ser de uma magnitude tamanha que encanta qualquer inquietude espiritual, e daí nasceu o interesse em outras religiões e outras culturas. O som encaixou e começamos a ensaiar com mais frequência, mas demoramos muito a montar um repertorio. Acho que o fato de naquela época 3 membros da banda, inclusive eu, tocarem em 2 ou 3 outras bandas ao mesmo tempo fez com que o processo fosse lento mesmo. A partir da gravação da primeira Demo Tape intitulada “... The Darkness... The Wrapping Tranquillity …” em 1997 foi as atividades na banda ficaram mais intensas, criamos mais músicas e realizamos nosso primeiro show apenas em 1999 no festival Blizzard of Rock. Depois desse primeiro show, chamamos a atenção local e fomos convidados por João Marinho da Blackout Discos de Recife para abrirmos o segundo show da história do Krisiun em Pernambuco em 2000. Ganhamos mais notoriedade com esse show e ficamos conhecidos em várias cidades do nordeste, pois quem tava no show repercutiu bastante ao voltarem pra suas cidades, principalmente pela qualidade impressionante e técnica de Breno e Erick, que na época eram sem dúvida uma espécie muito rara no Metal. A maioria dos músicos não sabia tocar tão bem, nem estudavam música a sério, eu era um deles, mas tinham exceções, claro. Em 2001 tentamos abrir para algumas bandas, mas decidimos não tocar na hora dos shows, pois a produção tinha nos prometido boas condições de show. Acabou que os headlines não nos deixaram passar o som nem tocar na bateria antes deles tocarem. Isso seria umas 2, 3 da manhã, ainda pra passar o som pra depois tocar lá pras 4 da manhã! Não topamos. Se não tivermos condições de mostrarmos nosso som com qualidade, preferimos não tocar. Tocar é uma consequência sob o aspecto de nossa filosofia. Nosso terceiro e último show dessa fase foi em 2002. Abrimos pro Monstrosity e foi nosso melhor show dessa fase! Eu já estava planejando migrar pros EUA e quando isso aconteceu no meio do ano, a banda acabou, pois nem Breno nem Erick quiseram continuar a banda sem os 3 na banda.

Elizabethan Walpurga (Walpurga da era Elizabetana) é a celebração da noite de Walpurga (Walpurgis, Walburga, Waelbyrga), a Walpurgisnacht dos tempos medievais, o Sabá da renovação. É a noite da libertação, a união das sombras com o fogo ritualístico pagão. As portas do submundo estariam abertas nesta ocasião de festejos para atrair energias renovadoras, purificadoras, estimulantes. A Walpurgisnacht medieval foi caracterizada como “a noite das bruxas”!


BD: Houve um hiato entre 2002 e 2015, quando voltaram à ativa. Renato, sabemos que foi por ter ido viver um tempo nos Estados Unidos, mas na época foi o fim ou você tinha a ideia de um dia voltar e retomar os trabalhos do ELIZABETHAN WALPURGA?

Renato: Na época, todos pensaram que era o fim mesmo, mas eu sempre comentava que não achava que iriamos acabar daquela forma. Com alguns amigos fora da banda, sem registrarmos as 9 músicas que criamos naquela fase, sendo que a última música não chegamos a tocar em estúdio e ainda não tem letra até hoje.

Desde que voltei dos EUA em 2007 que eu procurava uma chance de voltarmos, mas o momento de cada um de nós não nos permitia nenhuma forma de nos planejar.

Erick estava morando no Rio de Janeiro, Leonardo em Natal, e Breno tocando profissionalmente com 1349 bandas diferentes do forró ao jazz, do frevo a MPB, e tinha outros trabalhos autorais como na banda Treminhão, e eu tinha de recomeçar minha vida, mas sempre falava com Breno que se voltássemos teríamos êxito, pois até aquele momento eu não tinha escutado nenhuma banda parecida com o que fazíamos. Breno sempre falava que só voltaria se fosse para gravar as músicas, mas não lembrávamos mais das músicas que não tínhamos registrado, lembrávamos de algumas bases, mas não das músicas por completo!

Então em 2014 recebemos um convite do Sávio Diomedes, nosso velho amigo Hellhammer da banda Lord Blasphemate para lançarmos um Split com nossas Demos de grande sucesso, e impacto na cena Metal do nordeste nos anos 90. Ficamos muito honrados, mas a qualidade sonora da demo era péssima. Quase não conseguíamos ouvir as linhas de baixo. Foi então que reequalizamos a Demo com nosso amigo Pierre Leite, que veio a compor depois comigo e Nenel Lucena a introdução “Exordium” do CD “Walpurgisnacht”, e mandamos pro Sávio que tinha em mente lançar o selo dele chamado de Ordo Draconian Black Label, o que ocorreu tempos depois.

Entre a entrega do material e o lançamento demorou mais de um ano e um dia no começo de 2015, eu fui à casa de Breno com o irmão mais novo dele, Victor, para procurarmos as fitas que costumávamos gravar nos ensaios em um micro system.

Fita por fita, fomos tocando-as e bebendo, tocando e bebendo, e lá pras tantas conseguimos achar uma única no meio de umas 50 fitas com uns ensaios em que registramos o momento em que estávamos pegando as músicas entre 98/99, cometendo alguns erros ainda, tocando as músicas de forma diferente de como as tocamos, ainda sem letras. Tínhamos várias k7 dessas, de vários momentos da banda, inclusive com Beto Santos e depois com Osvaldo na bateria. Mas dentre as 50 k7 que Breno guardava de várias gravações de projetos em que ele tocava, apenas essa era da ELIZABETHAN WALPURGA, então supomos que as outras fitas se perderam no tempo e nas mudanças de casa, mas achamos as músicas e isso foi muito empolgante. Na hora já entramos em contato com Erick e com Leo sobre termos achado 4 das 5 músicas perdidas. Os dois toparam na hora e já ficamos pensando em quem seria convidado para tocar bateria.


BD: Bem, em 2015, vocês retomaram a banda, e já começaram mandando ver em shows, inclusive com a abertura para o grupo americano ABSU. Como foi a acolhida do público após o retorno? O saldo tem sido positivo?

Renato: Sim, voltamos em 2015 apenas para gravar o CD “Walpurgisnacht”, mas só ensaiamos às vésperas do show que fizemos em setembro de 2016, o show de 10 anos da banda Subinfected, e logo depois fomos chamados para tocar no festival Visions of Rock, neste evento do ABSU. A receptividade foi excelente e muito além das nossas expectativas.
Tem um vídeo do primeiro show no Youtube no Burburinho Bar e o Visions of Rock fez um DVD desse show e oportunamente iremos disponibilizar esse material em nossa pagina do Facebook e Youtube também.

Em 2017, fizemos apenas 2 shows. O de lançamento do nosso CD pela Shinigami Records em abril, também no Burburinho, e logo depois um show fantástico em Caruaru com Alejandro Flores substituindo Breno. Alejandro é um excelente guitarrista, de bandas como Inner Demons Rise, Decomposed God nos anos 90... Mas por causa da volta de Breno para finalizar seu mestrado em música em Portugal, e devido a compromissos profissionais de Erick em cursos de reciclagens que teve de fazer fora de Recife, não pudemos aceitar alguns shows desde então. Voltaremos sem dúvidas a fazer shows novamente em 2018, provavelmente a partir de março, abril e planejamos lançar algumas músicas inéditas, principalmente a música remanescente dessa primeira fase, uma música feita por Erick em 2002, que ele reorganizou agora a pouco tempo.


BD: Falando um pouco do disco. “Walpurgisnacht” mostra uma banda que ousa mostrar um trabalho diferente do que vemos no Brasil, essa mistura de Black Metal com melodias vindas do Metal tradicional. Como os fãs têm encarado essa musicalidade híbrida?

Renato: Recebemos quase sempre críticas muito positivas em relação a essa diversidade presente na nossa música, e de como as musicas são diferentes das coisas que os fãs escutam em outras bandas. Já vimos alguns comentários contrários sobre nossa música também, mas não nos incomodamos quando temos uma crítica negativa, afinal de contas, cada um tem o direito de gostar do que quiser gostar! Achamos tão normal quando alguém ama nosso som ou quando odeia, e não julgamos ninguém por isso. Tenho grandes amigos que não gostam da banda e fazem suas críticas, mas você não gostar da minha banda não te faz meu inimigo, nem você gostar te faz meu amigo!

Para nós essa mistura de sonoridade, de musicalidade é muito natural, pois sempre fomos assim durante nossas vidas.

Gostamos de Beatles desde criança e escutávamos bem antes de começarmos a escutar Heavy Metal. Todas as noites nós descíamos dos nossos apartamentos para ficar tocando, era uma grande mistura, mas isso exemplifica que nunca separamos a música por estilos ou por rótulos e sim pelo que nos agrada e pelo que não nos agrada.

Fica muito difícil exibir todas as camadas de todos os diferentes sons de que sou feito e de que me apropriei e, de tudo que vem de influência, antes de escutar Rock Progressivo, antes de escutar Heavy Metal, antes de escutar Rock e de antes de escutar coisas modernas “lá da minha modernagem”. Discos belíssimos que escutei na infância como os 3 primeiros álbuns do Quinteto Violado (“Quinteto Violado” 1972, “Berra Boi” de 1973 e “Feira” 1974) ou os discos da Banda de Pau e Corda daqui de Recife também dos anos 70!!! Depois de digerir esses discos do Quinteto Violado ainda criança, eu já me achava pronto para ouvir qualquer coisa com apenas 7 anos. Foram as melhores definições de como de fazer arranjos para uma música que eu tive e só depois de muitos anos, quando eu conheci coisas mais complexas foi que as coisas começaram a serem substituídas na forma de pensar essas estruturas musicais. Algo de muito além do tempo e de escutar aquelas músicas em 1977, 1978 forjaram a minha percepção de música e de ocupação de espaços na música e que podemos ocupar através de uma ilusão sensorial de viajar mesmo por esses acordes e arranjos, que nos transportam para a irrealidade da vida e isso é o que eu chamo de perfeição! E nada mais que eu diga a partir de agora vai definir melhor o que é minha música para mim mesmo!

Então não é só escutar e reconhecer influências como Iron Maiden ou Mercyful Fate, são camadas de músicas das mais diversas incorporadas, porque somos 5 e trazemos muita musicalidade das nossas vidas. Fazemos música principalmente para satisfazer a nós mesmos!


BD: Sobre o repertório de “Walpurgisnacht”, quantas e quais são as músicas antigas, de antes de pararem, e quais são as novas? E quais as mudanças que sentiram entre as versões mais antigas e as novas, e as diferenças entre o material antigo e as novas composições?

Renato: Com exceção da intro “Exordium”, todas as músicas são composições da primeira fase da banda. Alguns arranjos com certeza mudamos, acrescentamos ou cortamos alguma coisa de linha de baixo ou uma frase de guitarra, talvez, mas quem nos conhecia na época relata que se lembra das músicas claramente, mesmo depois de tantos anos, quando escuta “Walpurgisnacht” hoje. Queríamos que este capítulo estivesse presente na nossa biografia de forma a enaltecer todo aquele momento, que representa quem éramos quando compusemos essas músicas. Mas hoje em dia tocamos mais do que tocávamos naquela época, especialmente Breno Lira e as condições de gravações são infinitamente melhores e mais baratas. Queríamos dar as músicas o devido valor que nós sentimos por elas e “Walpurgisnacht” nos representa e temos muito orgulho do que conseguimos obter, independente de qualquer crítica que já recebemos ou venhamos a receber. A principal mudança está no fato de que não é o mesmo baterista e na minha concepção uma banda qualquer, não apenas a EW, muda bastante quando o vocalista ou o baterista muda, mas isso não foi um problema. Arthur é nosso quinto baterista e estamos bastante satisfeitos com a performance dele no CD, principalmente por ter gravado tudo em umas 7 horas de estúdio, parando apenas pra comer uma pizza, ele é surpreendente!

Outra diferença é o fato de que na época as letras não foram bem traduzidas. Por isso foi feita uma nova tradução das letras originais em português e com isso algumas partes mudaram drasticamente. Como Mal’lak não teve tempo de estudar essas mudanças, ele teve de cantar na hora da gravação, pra logo em seguida voltar para Natal sem chance de vir novamente ao Recife em alguns meses, pois a filha mais nova dele havia nascido ou estava prestes a nascer. E ficou perfeito a vocalização e o timbre de voz que ele conseguiu colocar naquele dia foi melhor do que esperávamos, mas depois dele gravar, senti alguns vazios causados por essas mudanças nas letras das músicas, talvez. Então acrescentei meus backing vocais nas músicas para dar mais consistência, mais dramaticidade. Antes eu só cantava num trecho de “Walpurgisnacht” e dava alguns gritos vampirescos “Udo Dirkschneidianos”!!! Mudou a forma como tocamos, pois hoje tocamos as músicas de forma mais cadenciada e nos sentimos bem executando as músicas da forma como tocamos hoje. Sempre escutamos referências de que ao vivo parecemos iguais como tocamos no CD, mas não é verdade, pois no disco colocamos até 4 guitarras fazendo coisas diferentes e em vários trechos, mas a forma como Breno e Erick constroem os acordes, os possibilitam preencher espaços. Quando escuto Breno tocar, penso que tem ali dois guitarristas tocando ao mesmo tempo, porque ele sempre coloca terças, quintas e por ai vamos dando mais textura ao nosso som.

Estamos compondo novas músicas. Fiz 5 músicas e Erick fez uma, além de bases soltas que temos e a música de Erick remanescente da primeira fase. Arthur também está compondo alguma coisa, ele tem uma guitarra de 8 cordas! Animal!!!

Estamos mais maduros e isto está presente na forma que compomos hoje.

Eu diria que a maior diferença entre as músicas antigas que gravamos em Walpurgisnacht” e as que estamos fazendo agora é que as novas estão chegando naturalmente mais complexas e com novas sonoridades presentes e isso é muito instigante! Escrevi 3 letras inteiras e Mal’lak também está escrevendo. Não estamos mais escrevendo exclusivamente sobre vampirismo, pois outros temas nos atraem. Estamos lendo autores como E. A. Poe, H. P. Lovecraft, Von Däniken, Sávio Diomedes e mais profundamente sobre Luciferianismo, então acho que refletiremos mudanças neste sentido. Estou com vontade de cantar mais com vocais limpos e iremos testar algumas coisas quando entrarmos em estúdio para ensaiar as novas músicas.


BD: Existem alguns convidados no CD, que são Nenel Lucena, Gustavo Coimbra e Rogério Mendes nos backing vocals. Como foi que tiveram a ideia de chama-los para participarem?

Renato: Bem, desde o planejamento eu já tinha convidado Rogério e Gustavo para participarem da gravação do CD. Na verdade, a única coisa que eu tinha em mente eram os gritos que queria colocar em “Walpurgisnacht”, mas no dia em que foram ao estúdio tivemos essa ideia com Gustavo, que tem um dos melhores vocais que eu já ouvi em minha vida (fica a dica banda ARKTUS) acabou gravando em “The Elizabethan Dark Moon”, com uma ajuda fundamental de Nenel Lucena para praticamente arranjar os vocais dele. Em “Walpurgisnacht”, eu quis colocar uma diferença potencial entre o grave de Rogério com o rasgado enfurecido de Mal’lak e o contraste ficou exatamente como eu queria.

Foi muito bacana tê-los conosco no estúdio, especialmente Rogério que foi nosso primeiro vocalista. Mas Gustavo Coimbra é um grande amigo meu, um irmão que levarei pro resto da minha vida e ele canta muito \m/. Gostaria que todos cantassem na banda, acho que eu exploraria bem vários vocais ativos ao vivo, rsrsrsrsrs.

Fui fazendo alguns backings, e ainda senti falta de uma coisa mais encorpada na minha voz, pois é muito estranho ouvir a própria voz, foi então que tive a ideia de fazer várias camadas com ela, como em “Infernorium”: … I feel things that no human heart can feel” eu faço 4 vozes diferentes, e fiz isso em vários momentos do CD, as vezes fazendo 3 vozes uma em cima da outra, 4 ou 5 e nem sempre eu quis sincronizar essas vozes, pois tem momentos em que queria enfatizar que eram como se fossem 2 ou 3 seres proclamando ao mesmo tempo. Com a exceção de “Exordium” onde colocamos efeitos de estúdio, pois queria dar outra dimensão, já que se trata de um ritual para ressuscitar um Lord vampiro. Gostei muito dessa forma de colocar meus backings nas músicas. Não tem nenhum efeito de estúdio na voz, são várias camadas de minha voz. Teve um dia em que gravei rouco e isso deu uma diferença, pelo menos na minha audição desses vocais.

Mas nos próximos trabalhos pretendo fazer todos os backings vocals.


BD: Se por um lado as músicas possuem um diferencial e tanto no hibridismo de Metal extremo com “insight” melódico, as letras parecem acompanhar, e mesmo focando temas mais obscuros, fogem do satanismo barato. Estou certo? Quais os conceitos e qual a mensagem que desejam passar com suas letras?

Renato: As letras tratam do crescimento pessoal de cada indivíduo, tornando o ser humano o centro do universo e o líder de seu destino. O próprio ser que o definirá como vencedor diante das hipocrisias da sociedade. As nossas mensagens batem de frente com alguns valores deturpados que nos são impostos desde o nascimento; a temática de nossas letras passa por um arcabouço social humanista, política-comportamental e, principalmente, uma crítica forte às crenças escravizantes que dominam o mundo há séculos sobre o “manto sagrado” politico, corrupto e opressor das igrejas cristãs no mundo, que valorizam a obediência cega, em detrimento à natureza humana.

Mas vamos lá, não somos fundamentalistas quanto a religiões como um todo, não temos uma identidade única quanto a religião e cada um é cada um. Ateu, luciferiano, budista, satanista? Não damos muita importância a essa particularidade de cada um de nós na banda.

Particularmente, acredito em várias coisas. Em minha opinião, a crença é como costurar panos velhos de vários pedações, tamanhos e cores, que a mim me parecem serem logicamente sensatos em acreditar. Não acredito que uma única pessoa dizendo que é dono da luz ou das trevas, nem que organizações humanas possam ter um pensamento correto e que resuma tudo numa verdade só.

Um Luciferianista se espelha em entidades para sua filosofia, suas ações e exercícios de pensar, desenvolvimento, progressão, ser você mesmo e melhor a cada dia. Devemos conhecer ambos, as Luzes e as Trevas em seu caminho, nunca se prendendo a nada e sendo livre para fazer o que quiser. O Luciferianismo é uma filosofia que busca a “Sabedoria da Luz”, pode-se assim dizer.

Acho muitos aspectos interessantes em religiões orientais como no budismo ou no hinduísmo, mas não sou adepto a elas. Não acredito em nada que prenda o homem ou o pensamento dele. Acredito na liberdade individual de cada um, mas infelizmente as pessoas não respeitão o que não conhecem e passamos por momentos muito equivocados de todos os lados.

Bom, abordamos o tema vampirismo e sei que Mal’lak foi muito influenciado por Anton LaVey e Aleister Crowley, mas o real sentido que resume bem nossa mensagem, em minha opinião, é liberdade! Seja livre e pense você mesmo sobre o que vai ler em nossas letras, faça suas reflexões! Acho que esse é sempre o melhor caminho, tirar minhas próprias conclusões e na maioria das vezes não estou nem a fim de mudar o pensamento de ninguém, eu já tenho coisas demais para pensar na vida. Trabalho, aprimoramento profissional, eu tenho uma vida normal, sou pai de uma menina de 3 anos que amo e aprendo bastante com ela. Acho que tem muita gente por aí precisando amadurecer, não só na idade, porque na real, isso nem sempre nos define, mas amadurecer suas ideias, refletir consigo mesmo, buscar seu autoconhecimento, enfim...

Você pode imaginar um vídeo passando em sua imaginação, um filme, um passeio pelas florestas da Eslováquia, ou pelo Rio Danúbio, imaginar uma história de terror ou uma história de amor, brutalidade melódica ou extremismo melancólico, e isso tudo é em nome do que nós acreditamos, das ligações que temos com o sobrenatural, com o escuro e com a escuridão, e nós gostamos da escuridão mais do que da luz e assim vai...!

Somos canalizadores de energia e energia é o que há de mais fundamental e mais poderoso no universo! Consigo receber e ceder minha energia e isso também é uma forma de vampirismo num conceito mais moderno, então, somos apenas a fantasia de muitas almas? Há mais palavras ao redor de nós mesmos e entre nós do que podemos enxergar, acredite! Também somos fascinados pela loucura sanguinária da Condessa Elizabeth Bathory e ela está presente em nossas poesias em seu espírito sanguinário e quando compomos bebemos a ela.


BD: Como foi que escolheram a Shinigami Records para lançar “Walpurgisnacht”?

Renato: A Shinigami veio através da Débora Brandão da Metal Media, que faz nossa assessoria de imprensa.

Discutimos outras 3 propostas para lançarmos o CD em formato físico, sendo 2 selos europeus e um aqui mesmo do Brasil, mas acreditamos que a escolha da Shinigami representaria para a banda um “Plus” bem estruturado, pois sua reputação e credibilidade falam por si só e temos uma visibilidade real de estar presente na cena de heavy metal do Brasil. Quando alguém nos compra o CD e percebe o selo da Shinigami já sabe que o produto é de primeira qualidade.

Estamos satisfeitos com o que alcançamos dentro desse planejamento.


BD: Como tem sido a resposta de público e crítica para “Walpurgisnacht”? E verdade seja dita: vi muita gente tratando o ELIZABETHAN WALPURGA como uma das revelações de 2017.

Renato: Que bacana, não sabia desse tipo de comentário sobre nós, pois nos sentimos uns velhos cheios de coisas para começar. Isso nos honra, pois esse reconhecimento do público e da crítica não tem preço. Não tem preço um cara chegar depois do teu show e dizer “vocês tocam um som da Pooorra!!!”

Hoje tenho mais de mil “amigos” no Facebook e 70% deles vieram por causa da banda. Me sinto bem em estar próximo de nosso público e de me tornar amigo de alguns deles. Tanto no Brasil como no exterior a resposta do público é maravilhosa, muitos elogios!

Até agora só recebemos ótimas resenhas sobre o CD. Algumas críticas sobre a sonoridade, mas preferimos uma coisa mais crua, mais engastada para dar maior sentido as composições, ao clima das letras e criar um ambiente em que si possa acreditar que existam naquelas composições. Quando você escuta o som da ELIZABETHAN WALPURGA, você pode não escutar originalidade e não é esse o nosso propósito, mas você vai escutar um som que você não encontrará em outra banda por ai nem em 5 mil CDs diferentes que você escute aleatoriamente, não adianta procurar, porque não seguimos os padrões que outros músicos de Black Metal tocam, ou como seguem seus intuições e procuramos dar as nossas músicas uma identidade única, mas o conjunto delas retratam algo mais, como uma estória contada num filme de vários capítulos. Respiramos arte e fazemos arte em forma de música. Oferecemos a quem quiser ouvir!

Não recebemos quase nenhuma crítica escrita no exterior, mas em contraponto, estamos tocando mais nas rádios undergrounds dos EUA que no Brasil. Estamos tocando em algumas rádios em Portugal e já fomos destaque em outras rádios na Alemanha e Colômbia, por exemplo, mas gostaríamos de ter maior exposição fora do Brasil, pois temos potencial para isso.


BD: Já que falamos em público, a quantas andam os shows? Fale-nos como são as casas de shows, eventos e mesmo estrutura de sua cidade e vizinhanças.

Renato: Infelizmente, com a mudança de Breno para Portugal em 2015, para realizar seu Mestrado, ficamos muito restritos para fazer shows. Ano passado, ainda conseguimos no segundo semestre fazer dois shows porque ele estava aqui em Recife fazendo umas pesquisas relacionadas ao Mestrado dele, e também no lançamento do nosso CD em abril. Mas mesmo assim, convidamos nosso amigo Alejandro Flores, que nos acompanhou em duas músicas no show de lançamento do CD e fez o show no lugar de Breno em Caruaru, mas por causa de compromissos profissionais Erick teve de viajar muito a trabalho neste semestre e com já estamos com um guitarrista titular fora, tocar sem Erick seria bastante complicado, pois as músicas são muito complexas e com muitas variações, inversões e mudanças de andamento.

Ano passado, tivemos bons shows undergrounds com bons públicos, mas neste ano sentimos bastante pela crise que nosso país atravessa. Fui a shows de ótimas bandas nacionais e internacionais como headlines, que levaram pouquíssima gente pros shows, acho que dando prejuízo pros produtores. Mas vejo que isso está acontecendo em outras cidades onde rola uma cena mais forte de Metal, inclusive em São Paulo. O público de hoje está indo menos aos shows, mas isso não é privilegio do Metal nacional, pois a forma com que os jovens de hoje lidam com música e como essa música chega até eles mudou muito. Precisamos entender mais e criar algo como o “business do Metal” algo que se sustente e dê oportunidade às bandas locais, além de trazer bandas de fora da cidade para enriquecer o cenário, a cultura headbanger. Pelo menos aqui em Recife não temos lugares assim.

Em Recife, temos dois grandes festivais organizados pela mesma produtora que são nosso orgulho. O Abril Pro Rock há duas décadas e o Hellcifest em sua segunda edição, são espetáculos bem estruturados e atraem público de vários estados do Nordeste.

Fora isso, temos algumas pequenas produtoras que, por hora, estão passando por esse momento difícil. Antes tínhamos um local onde os headbangers da cidade sempre se encontravam nos finais de semana, independente de ter show ou não e esse lugar não está mais disponível. O Dokas era a grande casa do Metal pernambucano nos anos 90 e 2000.

Uma pena, pois atravessamos um bom momento da música extrema em Recife, com várias bandas novas lançando grandes músicas e bandas antigas voltando e outras gravando.

Mas estamos animados em poder tocar aqui em 2018 e em outras cidades. Estamos planejando uma mini turnê por algumas cidades do nordeste com a Lord Blasphemate, Agnideva e Pantáculo Místico e se conseguirmos concretizar será histórica essa tour!

Tem uma cena boa em Arapiraca, em Alagoas. Caruaru já teve uma cena Metal maior, mas mais hoje está com menos público. O interior do estado tem muito headbanger que dá valor a cena suas cenas locais e em lurares como Surubim, Toritama e Paudalho tem mostrado a força do interior. O mesmo acontece em Petrolina, que está em fase de crescimento da cena. Vejamos como será ano que vem e depois, mas queremos tocar onde nos convidarem e já temos um pré-convite para tocar num festival em São Paulo ano que vem. Se conseguirmos encaixar outras datas será bem legal poder tocar no sudeste pela primeira vez. Temos uma cena forte em Natal e Mossoró no Rio Grande do Norte, em Fortaleza e em Campina Grande na Paraíba, mas se compararmos com a cena dos anos 90, hoje não temos nem a metade do público que ia aos shows antigamente! Não tinha Youtube pra ver o show de casa comendo pipoca e tomando cerveja barata!!!


BD: Ainda sobre shows, existe alguma boa proposta de fora? E já está na hora do ELIZABETHAN WALPURGA se aventurar pelo eixo RJ-SP-MG, pois chega a ser uma lástima que uma banda tão boa fique restrita ao Nordeste.

Renato: Sim, nada de concreto, mas já fomos sondados para tocar num importante festival que acontece em São Paulo (estado). Se isso se confirmar podemos fazer uma tour fechando algumas datas, mas nenhum convite em Minas ou no Rio até o momento.

Mesmo pra tocar hoje aqui no Nordeste tem de ser muito bem planejado, porque as vezes acontecem outros eventos que diminuem o público nos shows.


BD: Apesar de “Walpurgisnacht” ainda ser bem recente, já existem planos para algo novo em 2018?

Renato: Nada concreto. Não sabemos se teremos tempo de gravar alguma coisa ou se as músicas já estarão prontas. Gostaria de colocar alguma música nova numa coletânea lançando um single ou um EP com algum cover que nos identifique. Falei com Hellhammer para ele lançar uma coletânea só com bandas do Nordeste, que estejam no contexto que ele enfatizou meses atrás quando lançou o manifesto da Nova Tempestade do Black Metal Nordestino, mas os planos estão voltados mais para realizarmos a maior quantidade de shows possíveis e gravarmos um vídeo clipe, até já escolhemos qual será a música, talvez um show ao vivo pra gravar um DVD, nada de concreto mesmo!


BD: Muitos podem querer dar palpites nessa pergunta, mas vamos apimentar um pouco: há algum tempo, muitos bangers têm dado uma de moralistas em relação ás artes degeneradas. Agora, como consequência, um projeto de lei de um deputado da bancada evangélica pode acabar censurando o Metal. O que acha disso? Não acha que esse conservadorismo moralista de muitos seria um sinal que a pessoal ouviu o Metal, mas não compreendeu a liberdade que ele nos concede?

Renato: Sim, eu acho que todo mundo pode dar seu palpite seja para elogiar ou para criticar mesmo no que quer que seja, e ninguém tem nada haver com isso, mas acho que ninguém tem o direito de denegrir a imagem de ninguém, de julgar ninguém pelo que elas escutam na música ou deixam de escutar, da forma como cortam seus cabelos, das roupas que usam, de sua cor, de sua raça, de sua idade, de sua identidade, enfim, não pactuamos com esse tipo de pensamento restritivo. É como se você pudesse descrever quem uma pessoa é simplesmente por algumas escolhas que elas fazem, num campo totalmente subjetivo, ou seja, ninguém é bom caráter por ser satanista e ninguém é mau caráter por ser cristão, na minha opinião! São outros valores que devem servir para uma pessoa fazer parte ou não de sua vida. Isso não nos faz melhores do que os outros, apesar de acreditar que a evolução pessoal de cada um, dentre outros 1777 argumentos, acredito que nos tornamos melhores que os outros quando comparamos nossas capacidades, habilidades, enfim, mas infelizmente caminhamos por caminhos diferentes e vivemos uma época onde a intolerância tem voz ativa e, por causa proporção que um post, pode-se atingir, nas redes sociais, pessoas potencialmente inocentes, mas sendo bem sincero, estou “cagando e andando” em cima do que essas pessoas pensam ou deixam de pensar. As pessoas passam muito tempo observando o que os outros fazem e esquecem-se de cuidar de seus projetos pessoais, vivem vidas que não são suas, tentam se enquadrar em alguma coisa maior que elas próprias, pois não se sentem seguras sentindo-se sozinhas e na minha opinião, quem se restringe a experimentar coisas novas e diferentes, não estou falando de Heavy Metal apenas, na vida de cada um sobre qualquer aspecto de sua vida, vai ficar pra trás no tempo e não vai perceber o quanto perdeu até perceber que não há mais tempo para experimentar mais nada!

Quem é você pra dizer o que eu sou, o que eu gosto, o que eu devo comprar, o que eu devo escutar, a que shows devo ir ou não ir e quem é você pra me julgar por isso? Sou muito maior do que o seu julgamento e qualquer um pode se sentir da mesma forma, basta ser autentico e agir com dignidade.

Vivemos no país do faz de contas, no país dos milhões roubados todos os dias, desde que o Brasil é Brasil e as piores necroses sempre foram e sempre serão as elites desse país podre e das suas milhares de fantasias!

O governo faz de conta que governa. A gente faz de conta que é cidadão. Os professores fazem de contam que ensinam e os alunos fazem de conta que aprendem. Os legisladores fazem de conta que legislam. Os juízes fazem de conta que julgam. Os advogados fazem de conta que acreditam que todos são inocentes. As pessoas fazem de conta que se respeitam e que respeitam os direitos dos outros, mas na verdade não respeitamos nem a nós mesmos! Veja que pais nós construímos!!!

O que vai mudar na vida de alguém se souber que eu sou fã de Lenine ou que Erick só escutou 4 ou 5 bandas de Black Metal durante toda sua vida? De que vale a pena saber se Mal’lak escuta mais Black Metal que qualquer outra coisa, ou que Breno não tem mais paciência para ouvir nada de Metal que foi feito depois do “The Gallery” do Dark Tranquillity?

Essas pessoas dão suas opiniões porque necessitam de atenção. Imagino o quão sozinhas são e de como são infelizes com seus cérebros engessados pela intolerância e pela falta de curiosidade de conhecer o novo, o diferente. Eu sei que também tem gente que é feliz de verdade sendo assim, mas não cabe a crítica a quem é diferente de você?

Antigamente, quando não existiam redes sociais, as relações de amizade eram bem mais próximas, então, quando algum amigo “dava uma de radical” na minha turma, por exemplo, a gente criticava o cara, chamava logo de “donzelo” ou de “tabacudo” e o cara meio que aceitava a crítica e não se habituava a ser da forma radical, que pensou ser a maneira certa de agir. Hoje em dia, o cara fala qualquer coisa lá e tem gente pra reverberar e pensar da mesma forma, dá respaldo aquilo e vira uma bola de neve, mas no fundo as pessoas compartilham suas opiniões e vivem as experiências que os ouros viveram e perdem suas essenciais, sua originalidade, pois devíamos ser únicos e mesmo assim convivermos com essa heterogeneidade de ser quem você é, de ser quem você quiser ser! Mas o mundo mudou bastante...

Não concordo com esse tipo de pensamento, mas não acho que ninguém seja pior ou melhor por causa disso. O que define a qualidade de uma pessoa pra mim são outros valores e a mim não importam quantas bandas de metal diferentes você conhece, se você sabe o nome de todos os integrantes de todas as bandas ou quantos milhares de CDs você tem, e sim como você trata seus amigos, sua família, como você (homem) trata sua esposa ou namorada, ou como trata qualquer mulher, como você educa seus filhos, como você se importa de verdade com seus filhos e não quantas vezes vocês fala “666 viva Satanás” por dia!!! Se importar se um som é “puro” ou “impuro”, não faz nenhum sentido lógico e por isso essas pessoas não têm a minha atenção, são como pessoas que na multidão que passam por mim todos os dias nas ruas, isso na minha opinião e não estou aqui querendo vender minha ideia a qualquer preço, mas apenas genuinamente expressando a minha opinião sobre radicalismos de qualquer parte que seja.

A maioria, pra não dizer na totalidade, de quem coloca o nome de um deus pra justificar qualquer coisa de seu caráter já não deve ser uma pessoa confiável ou equilibrada, em minha opinião. Estamos vendo a bancada evangélica totalmente envolvida com a corrupção no Brasil e as religiões ocidentais sempre tiveram tentáculos no poder, quando não representavam o poder ela mesma. Nunca se matou tanto em nome da religião quanto a igreja católica ao longo dos séculos, nunca se manipulou tanto a fé das pessoas e a verdade sobre as estórias criadas pelo poder para dominar mais ovelhinhas e as pessoas não pensam nisso e quando pensam tendem a pensar que é uma história de faz de conta e que está sendo contada num livro de história e que não foi real, que era em nome de Deus “e Deus está no comando”!!!! Não coloque deuses ou demônios para justificarem seus atos, seja você mesmo e as respostas serão mais claras em sua vida.

As pessoas ficam chocadas se você diz ser um satanista ou um luciferiano, mas não acham nada demais quando um padre católico é acusado de pedofilia! Se importam mais se o cara tem tatuagem do que se tem caráter, são valores que não fazem parte da minha personalidade. Como vou deixar de amar minha mãe só por ela ser cristã??? Quem você odeia mesmo???

O Rock sempre esteve interligado com o novo, a transgressão do que é consensualmente definido pelos padrões da sociedade. O Rock não morreu, são as pessoas que estão envelhecendo muito antes do tempo!


BD: Ainda tendo em vista a pergunta anterior, quais seriam as maiores diferenças entre os headbangers da época em que começaram e os de hoje?

Renato: Tínhamos valores diferentes, muitas diferenças como ainda temos hoje em dia, mas priorizávamos as afinidades. Havia mais valorização do ser humano, mas não acho que isso ocorra somente no meio do Metal, isso vem mudando na sociedade e as pessoas são banalizadas pelas outras hoje, não se valorizam nem se respeitam mais as individualidades, a não ser que você seja um dos que ditam as regras!!!

Me lembro de achar alguns garotos meio chatos na época da escola e nem os conhecia de verdade, mas quando sabia que o cara era headbanger a coisa mudava e passávamos por cima de pequenas diferenças, porque a identidade de escutar Metal era maior do que as outras 2112 diferenças que existiam entre dois possíveis amigos.

Há uma diferença em como as pessoas hoje constroem suas relações com outras pessoas, mas isso é evolução, não adianta ser saudosista, porque o trem já passou, já virou locomotiva e não adianta ficarmos feito os “corroas” da nossa juventude, que achavam muita ousadia homem ter cabelo comprido ou homem usar brinco ou camiseta cor de rosa!!!


BD: Bem, é isso. Agradecemos pela entrevista mais uma vez, e, por favor, deixe sua mensagem para seus fãs e aos leitores.

Nós que agradecemos a oportunidade e queremos deixar aqui nosso muito obrigado e que estamos sempre abertos e disponíveis para o Metal Samsara e para essa imprensa underground, que tanto tem nos valorizado.

Obrigado aos fãs, aos que acompanham a banda, aos que já puderam comprar nosso CD, aos que já escutaram nosso CD, ou que baixaram em sites piratas também, o que importa é que você dá valor ao que fazemos e vamos continuar mesmo a fazer, pelo tempo que quisermos fazer!

Mais novidades virão em 2018 e esperamos encontrar com vocês em nosso shows ano que vem! Fiquem ligados \m/

Somos uma banda de Heavy Metal do Nordeste do Brasil e não estamos aqui para brincar com você, estamos aqui para produzir arte de alto nível e não nos importa o julgamento que os outros façam dela, porque amamos o que fazemos e não fazemos isso para os outros, fazemos para nós mesmo!

Nós sangramos o seu som e sangramos nossos sentimentos, nossas almas em nossas músicas, porque somos a ELIZABETHAN WALPURGA, somos uma banda de Metal de Recife \m/


Renato Matos.
06/11/2017.

Ouça as faixas “Infernorium” e “Transylvanian Cry”:




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