quarta-feira, 15 de novembro de 2017

GRIMLET - Theia: Aesthetics of a Lie (Álbum)


2017
Importado

Nota: 8,5/10,0

Tracklist:

1. El Gran Dark Maestrum
2. Scorching Vision
3. Aesthetics of a Lie
4. 2:1:0
5. Still Beneath the Horns
6. Knee-Deep in the Dead (Covariance Version)


Banda:


David Carvalho - Vocais
António Branco - Guitarras
Flávio Almeida - Guitarras
Cláudio Aveiro - Baixo
Filipe Gomes - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://grimlet.com/
Twitter:
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Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Portugal é um país com uma cultura forte, e vemos os fortes traços disso basicamente na literatura (não há como não conhecer o nome do poeta Fernando Pessoa). Não é sem motivos que boa parte das bandas de Metal do país se recusa a cair no ponto comum, a serem meras cópias do que já foi feito até a erosão. Não, por lá, se cultiva a criatividade, se dá passos à frente. E isso é perceptível no trabalho do GRIMLET, quinteto de Figueira da Foz, que chega com seu terceiro álbum, “Theia: Aesthetics of a Lie”.

A banda faz um gênero bem agressivo e ríspido de Progressive Death Metal, ou seja, a boa e velha agressividade do gênero está bem trabalhada, com um trabalho de primeira das guitarras (de onde algumas melodias fluem, especialmente nos solos), uma base rítmica coesa e pesada (mas com ótimas passagens quebradas, mostrando a técnica de baixo e bateria), e vocais que fazem um estilo de gutural não muito usual (os timbres são graves, mas se consegue entender bem o que está sendo cantado). É bem diferente do usual, e sempre cheio de energia e peso.

Em termos de sonoridade , pode-se dizer que “Theia: Aesthetics of a Lie” tem um diferencial de outros discos do estilo: a sonoridade é mais seca, deixando os instrumentos mais claros e audíveis separadamente. Ou seja, aquela crueza tão comum nos discos de Death Metal não surge da qualidade de gravação, mas dos timbres instrumentais, o que deixa tudo soando muito bem aos ouvidos. Nisso, o trabalho de João Dourado na mixagem deu um “boost” e tanto.

Em termos de arte gráfica, a capa de David Carvalho, trabalhada com sombras de preto, branco e cinzento. Desta maneira, a apresentação visual soturna e com aquela atmosfera densa e fúnebre. Algo essencial para uma banda de Death Metal.

Preferindo músicas mais longas, o quinteto mostra que tem uma proposta sonora bem pessoal, pois com durações desta forma, eles conseguem exibir boas mudanças rítmicas e uma técnica nada convencional. “Scorching Vision” tem um enfoque mais extremo, onde o lado mais bruto e explosivo da banda é mais evidente (com solos de guitarras à lá NOCTURNUS e riffs ganchudos), ao passo que o lado mais progressivo da identidade do quinteto aparece mais em “Aesthetics of a Lie” (onde baixo e bateria mostram ótima técnica e peso nas mudanças de tempos). Em “2:1:0” e “Still Beneath the Horns” (esta com belas passagens mais cadenciadas e empolgantes), o equilíbrio entre técnica, melodia e agressividade fica muito exposto, com muitas variações de andamento, boas melodias e harmonias, e  os vocais estão muito bem em ambas. E a curta “Knee-Deep in the Dead (Covariance Version)” é bem mais chegada ao porradeiro explícito e direto, um murro de velocidade e brutalidade no estômago, onde a banda está justinha.

O GRIMLET merece chegar a um público maior, pois tem muito potencial musical.

Ponho fé.