terça-feira, 24 de outubro de 2017

WILD WITCH - The Offering (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 8,2/10,0

Tracklist:

1. Heavy Metal Inferno
2. Night Rulers
3. To the Lions
4. From the Purgatory
5. Diabolic Jaws
6. Blades of Pain
7. Exiles in Hell
8. Lightning on the Road


Banda:


Felipe Rippervert - Baixo, vocais
Mariano - Guitarras
Weiberlan Garcia - Bateria


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Quando se fala em Metal tradicional Old School, é preciso estabelecer que existem dois tipos de bandas: aquelas que apenas clonam tudo que já foi feito, quase que fazendo fotocópias de tudo que já foi feito. E existem aquelas que, mesmo não reinventando o gênero, fazem trabalhos muito bons, já que dão uma oxigenada no que é velho, lhe dando vida nova. E o trio curitibano WILD WITCH possui um trabalho muito bom, bastando ouvir “The Offering”, primeiro disco do grupo que acaba de ser lançado pela Arthorium Records.

Bem da verdade, a música do trio é baseada em ícones como JUDAS PRIEST, THIN LIZZY, ACCEPT, alguma coisinha do MOTORHEAD e outros, mas não tem aquele jeitão tão tradicional da NWOBHM. A energia é constante, as melodias muito fáceis de serem assimiladas; o instrumental possui uma técnica que não é exagerada, e o trio soa bem coeso e pesado. Embora existam pontos que podem ser melhorados, o primeiro disco deles é realmente muito bom, que a verdade seja dita.

Gravado no Avant Garde Studio, tendo produção do próprio grupo juntamente com Maiko Thomé. O último ainda mixou “The Offering”, e teve a ajuda de Arthur Migotto na masterização. é preciso salientar que a banda optou por algo mais cru e orgânico, buscando uma sonoridade mais próxima do que eles soam ao vivo. Mas mesmo assim, eles fogem da mania do “precisamos-soar-anos-80”, com algo que alia uma qualidade sonora clara e com todos os instrumentos audíveis, mas com os timbres instrumentais puxando mais para o lado do passado. E isso ficou muito bom.

Em termos gráficos, a capa ficou muito boa, dando aquela idéia perfeita do que o disco vai mostrar musicalmente. Já o encarte é o mais simples possível, e por isso, o design (outra contribuição de Arthur Migotto) ficou muito bom.

Com essa musicalidade sólida e melodiosa, com arranjos bem feitos e muito fáceis de digerir, o WILD WITCH mostra que não é apenas mais um nome no cenário, mas que tende a crescer bastante. A única ressalva é que o vocal não está 100% encaixado no trabalho do grupo, podendo ser um pouco mais agressivo. Mas isso os ensaios, shows e evolução cuidarão de acertar, pois eles têm muito talento.

Em 8 faixas bem construídas, encontraremos muito dos clichês dos anos 70 e 80. Mas acreditem: eles sabem fazê-los funcionar muito bem, como podemos comprovar na energia crua e jeitão “German Heavy Metal” de “Heavy Metal Inferno” (que refrão de primeira, levada maravilhosa e riffs de primeira) e de “Night Rulers” (embora aqui já existam algumas referências bem claras ao Metal bretão nos riffs e condução rítmica), o ritmo cadenciado, pesado e envolvente de “From the Purgatory” (outra mostra de talento do grupo, onde as guitarras se destacam bastante), o ótimo trabalho de bateria e baixo nas partes rítmicas mais trabalhadas de “Diabolic Jaws”, a energia intensa e empolgante de “Exiles in Hell” e a criatividade dos riffs de “Lightning on the Road” e sua pegada pesada de primeira, além de ótimos backing vocals.

O potencial do grupo ainda não foi todo utilizado, logo, acertando os vocais e deixando a evolução fazer seu trabalho, o WILD WITCH deve se tornar um dos grandes nomes do Metal Old School do Brasil. Não tenho dúvidas disso.