segunda-feira, 23 de outubro de 2017

RAGE - Seasons of the Black (Álbum/duplo CD)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0
  
Tracklist:

Disco 1 (Seasons of the Black):

1. Season of the Black
2. Serpents in Disguise
3. Blackened Karma
4. Time Will Tell
5. Septic Bite
6. Walk Among the Dead
7. All We Know is Not
8. Gaia
9. Justify
10. Bloodshed in Paradise
11. Farewell

Disco 2 (CD bônus):

1. Adoration
2. Southcross Union
3. Assorted by Satan
4. Faster than Hell
5. Sword Made of Steel
6. Down to the Bone


Banda:


Peter “Peavy” Wagner - Vocais, Baixo
Marcos Rodríguez - Guitarras, backing vocals
Vassilios “Lucky” Maniatopoulos - Bateria, backing vocals


Contatos:

Bandcamp:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Metal germânico é apaixonante, e ao mesmo tempo, de igual importância aos seus similares dos E.U.A. e da Inglaterra, formando assim o tripé que sustenta o Metal mundial. Desta forma, fugindo dos nomes mais proeminentes, muitas bandas “cult” existem, e que se não são tão aplaudidas e reverenciadas como os gigantes, são extremamente importantes para a consolidação do gênero. Uma delas é o trio RAGE, que completa 31 anos de vida com mais um disco de primeira, “Seasons of the Black”.

Desde que o grupo mudou de nome em 1986 (se chamavam AVENGER, mesmo nome de um grupo inglês da época), o trio tem destilado uma mistura do bom e velho Metal “Made in Germany” com aspectos do Metal tradicional, sempre primando pelo uso de uma fórmula simples: peso+melodia+agressividade. A diferença é que o grupo sempre tira um coelho da cartola e vem com o mesmo estilo, mas alguma coisa se diferencia do que eles já haviam feito anteriormente. E como já havíamos ouvido em “The Devil Strikes Again”, o grupo está soando mais moderno e vigoroso, mas ainda melodioso. Desta forma, o RAGE nunca soa datado ou velho, mas sempre cheio de energia, sempre se renovando, e assim, capaz de cativar novos fãs.

Assim como no disco anterior, o produtor é o próprio trio, sendo que Marcos Rodríguez fez a engenharia sonora. Por sua vez, o mago sueco Dan Swanö ficou responsável pela mixagem e masterização de “Seasons of the Black”, sendo que “Peavy” sempre comanda tudo como produtor executivo. Tudo para garantir que a sonoridade esteja de alto nível, forte e pesada, mas ainda assim bem limpa, permitindo que as melodias do grupo sejam compreendidas sem problemas. Ou seja: tudo está no melhor nível possível, encaixado com o que o grupo sonoramente precisa.

A arte gráfica para a capa é de Karim König, que ficou ótima e sombria, antenada com o que o grupo quer transmitir com o nome do disco. Já o encarte e tudo o mais estão excelentes.

Como dito antes: o estilão do RAGE não mudou em nada, continua a mesma coisa. A diferença está o “insight” da banda, que preferiu manter a pegada mais atual que já estava clara em seu disco anterior. Poderíamos até dizer que a banda deu sequência ao que fez nele, mas com tudo mais coeso, já que “Seasons of the Black” é o segundo disco com essa formação. E a versão nacional tem um CD bônus, tornando a aquisição do disco ainda mais prazerosa.

O disco é excelente. Abrindo com a pegada pesada e vigorosa de “Season of the Black” e seu refrão de primeira (“Peavey” continua cantando muito), mesmos elementos que permeia “Serpents in Disguise” (que tem um andamento mais ameno, com focando bastante nas melodias das guitarras e no refrão de primeira), as linhas melódicas de peso recheadas com leve toque de azedume agressivo de “Blackened Karma” e de “Time Will Tell” (ambas com ótimos backing vocals melodiosos, além do ótimo trabalho de baixo e bateria), o peso abusivo de “Septic Bite”, “Walk Among the Dead” e “All We Know is No”, todas com ótimo contraste entre melodia e modernidade, fora o show de baixo e bateria. Além delas, o disco fecha com quatro faixas que formam “The Tragedy of Man”, uma epopeia que narra o surgimento do homem (na introdução “Gaia”, curta e apresentada em uma forma introspectiva), a falta de respeito à vida do próximo que é baseada na impossibilidade de se trazer uma vida da morte através de mais morte (como visto na energética e envolvente “Justify”, que nos apresenta um refrão de primeira), a brutal colonização e apagar de culturas antigas por homens “civilizados” (apresentada em “Bloodshed in Paradise”, uma canção mais simples e direta, com mudanças entre tempos mais amenos e outros mais agressivos, mostrando riffs com forte dose de melancolia), e o fim da espécie dominante, uma vez que esta não se harmoniza com a natureza e segue seu curso (algo que fica claro em “Farewell”, uma tocante canção que fica entre uma balada e uma pancada de peso melodioso e intenso), fechando o CD com chave de ouro.

No CD bônus, temos regravações da época em que a banda ainda se chamava AVENGER, do álbum “Prayers of Steel” (de onde vieram “Adoration”, “Southcross Union”, “Assorted by Satan”, “Faster than Hell”, e “Sword Made of Steel”), e do EP “Depraved to Black” (onde está a versão original de “Down to the Bone”), que ganharam uma roupagem mais moderna, mas mantendo as linhas melódicas originais. Percebe-se claramente a influência de JUDAS PRIEST e MOTORHEAD vindo dessas canções, e ainda bem que o trio resolveu dar-lhes este tratamento, pois elas merecem uma nova chance, uma vez que o selo original de ambos os lançamentos era muito pequeno e nem todos puderam conhecer o potencial deles. E digamos de passagem: são tão boas que esperemos que a banda as toque ao vivo nessa turnê atual.

Não tem jeito: o grupo pode não ser um gigante do gênero, mas o RAGE é sempre relevante.